Leonardo Forte analisa o avanço descontrolado dos vícios modernos e a destruição da sociedade brasileira em nova coluna

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O avanço descontrolado dos vícios modernos está produzindo uma nova forma de destruição silenciosa dentro da sociedade brasileira. Durante décadas, o grande temor das famílias eram apenas as drogas ilícitas. Hoje, o problema ganhou novas roupagens: apostas eletrônicas, cigarros eletrônicos, dependência digital, álcool e jogos virtuais transformaram-se em mecanismos de destruição emocional, financeira e psicológica.

As chamadas “bets” passaram a ocupar um espaço extremamente perigoso dentro da vida popular. Elas entram nas casas através do celular, prometendo dinheiro fácil, riqueza rápida e ascensão instantânea. O resultado, muitas vezes, é devastador: endividamento, destruição familiar, depressão, ansiedade, perda de patrimônio e ruptura emocional.

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O problema se agrava quando parte da população mais vulnerável passa a utilizar recursos essenciais da sobrevivência em vícios destrutivos. Surge então um debate delicado, mas necessário: é preciso haver mecanismos de fiscalização, orientação e acompanhamento social dos programas assistenciais, especialmente em relação ao uso consciente dos recursos públicos.

O grande êxito de um programa social não deveria ser medido apenas pelo número de pessoas incluídas nele, mas principalmente pela quantidade de cidadãos que conseguem sair da dependência assistencial através de emprego, qualificação profissional e autonomia financeira.

A assistência social é necessária. Em muitos casos, salva vidas. Mas um país não pode transformar programas emergenciais em dependência permanente. Um governo eficiente deveria ter como meta principal gerar oportunidades reais de trabalho, renda e dignidade.

As apostas eletrônicas representam um fenômeno extremamente preocupante porque exploram exatamente o desespero econômico e o sonho da riqueza imediata. Muitas famílias pobres estão alimentando um sistema bilionário acreditando que irão “mudar de vida” com apostas repetidas. No final, quem quase sempre ganha é a estrutura econômica que explora o vício.

O mesmo raciocínio vale para outros produtos altamente nocivos, como cigarros eletrônicos e o consumo excessivo de álcool, que muitas vezes atingem jovens cada vez mais cedo.

Outro ponto que merece debate é o sistema das loterias oficiais. A população aposta acreditando no sonho milionário, enquanto parte significativa da arrecadação retorna ao próprio Estado em forma de tributos, taxas e receitas públicas. A discussão sobre quanto efetivamente retorna ao apostador e quanto permanece com o sistema arrecadador é legítima e deve ser transparente.

As loterias da Caixa Econômica Federal distribuem apenas parte da arrecadação em prêmios, enquanto outra parcela é destinada a programas sociais, despesas operacionais e arrecadação governamental. Isso alimenta críticas de que o modelo funciona também como uma espécie de tributação indireta sobre a esperança popular.

Mas é importante separar debate político de acusações sem provas. Questionamentos sobre possível uso político de programas sociais existem há décadas no Brasil, porém acusações de “compra de votos” exigem provas concretas e investigação séria pelas autoridades competentes. Generalizações podem acabar atingindo milhões de famílias honestas que dependem legitimamente desses programas para sobreviver.

O verdadeiro desafio nacional talvez seja outro: construir um país onde o cidadão não precise depender eternamente de assistência estatal, nem buscar salvação financeira em apostas, vícios ou ilusões vendidas diariamente pela internet.

Porque uma sociedade forte não se constrói alimentando dependência. Constrói-se gerando consciência, educação, trabalho, dignidade e liberdade econômica.

Leonardo Forte!

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