João Pessoa: o boom que pode virar colapso!, por Leonardo Forte

Empresário Leonardo Forte

João Pessoa vive um dos momentos mais intensos de sua história imobiliária. Prédios sobem em ritmo acelerado, novos empreendimentos são lançados semanalmente e a cidade se transforma diante dos olhos de quem a construiu ao longo de décadas.

À primeira vista, é o retrato do progresso.

Mas por trás dessa expansão vertiginosa, cresce uma pergunta incômoda e urgente: a cidade está preparada para sustentar esse crescimento?

A resposta, infelizmente, aponta para um risco evidente.

O que se observa hoje é um descompasso perigoso entre o avanço da construção civil e a ausência de obras estruturantes que deveriam anteceder esse processo. Esgotamento sanitário insuficiente, sistemas de drenagem precários, mobilidade urbana saturada, abastecimento de água sob pressão, fornecimento de energia exigido ao limite, além de calçamento e infraestrutura básica que não acompanham a velocidade das obras.

Constrói-se primeiro. Planeja-se depois.

E esse “depois” costuma cobrar um preço alto.

O impacto ambiental já começa a dar sinais. Áreas sensíveis sendo ocupadas, impermeabilização excessiva do solo, pressão sobre recursos naturais e um crescimento urbano que, se não for controlado, pode comprometer o futuro da cidade que hoje encanta.

O problema maior, no entanto, ainda está por vir.

Quando esses empreendimentos estiverem concluídos e habitados, a demanda real começará. Esgoto que não terá para onde ir. Ruas que não comportarão o fluxo. Sistemas de drenagem incapazes de suportar períodos de chuva. Falta de água em horários críticos. Sobrecarga energética. Engarrafamentos cada vez mais constantes.

Será nesse momento que João Pessoa deixará de viver o “boom” para enfrentar o seu teste de realidade.

E a pergunta inevitável surge:

como será viver na João Pessoa de 2028?

Como administrar um crescimento que se acumulou sem o devido planejamento? Como garantir qualidade de vida para quem já vive aqui e para aqueles que escolheram a cidade para morar?

Urbanização não é apenas construir é estruturar, preparar, antecipar.

Sem isso, o que hoje parece desenvolvimento pode se transformar em um problema estrutural de longo prazo.

É preciso reconhecer que já houve momentos em que a cidade avançou com planejamento mais consistente, com intervenções urbanas que marcaram positivamente sua evolução administrativa e estrutural. Esses períodos mostram que é possível crescer com responsabilidade.

O que João Pessoa precisa agora não é frear o crescimento, mas organizar o crescimento.

Planejamento urbano eficiente, obras estruturantes antecipadas, integração entre os entes públicos, fiscalização rigorosa e compromisso real com o meio ambiente.

Porque uma cidade não se mede pela quantidade de prédios que levanta ,
mas pela qualidade de vida que oferece a quem vive nela.

E ainda há tempo de evitar que a chama do crescimento consuma a base que sustenta João Pessoa.

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