Estamos num período em que a palavra compromisso é bastante cobrada. Todos nós buscamos conhecer as promessas apresentadas por candidatos numa campanha eleitoral para, a partir delas, definirmos nossas escolhas. Aí pesa a questão da credibilidade na pessoa que está assumindo compromissos.
A prática política brasileira tem concorrido para que a população esteja desencantada e desestimulada a participar de forma mais efetiva e consciente do processo eleitoral. A classe política padece de uma crise de credibilidade que ameaça o exercício pleno da democracia.
Tudo em razão da falta de cumprimento dos compromissos assumidos. Não se leva em conta a responsabilidade ética e moral da palavra dada. A demagogia e a retórica de enganação constituem seus discursos na propaganda. A sociedade está cansada de ser atraiçoada pelos maus agentes políticos.
No entanto, o termo compromisso não pode ser desprezado por nós enquanto cidadãos. Cada um de nós tem o compromisso de eleger, balizados em critérios responsáveis de avaliação, aqueles que se mostrem mais capacitados a atenderem nossas expectativas. É assim que se constrói uma sociedade democrática. É um erro grave generalizar e jogar num lugar comum todos os que exercitam a política. Como também é uma irresponsabilidade definir o voto empurrado por uma onda midiática. Deve prevalecer a consciência livre, desapaixonada, comprometida com a verdade de um julgamento sem influências alheias aos interesses coletivos.
Reagir com o voto de protesto, ou se negando a fazer sua opção, é faltar também com o compromisso que cobramos dos políticos. Se exigimos que eles honrem suas obrigações prometidas em campanha, temos também que cobrar de nós mesmos a responsabilidade de cumprir o dever cívico de votar bem. Rejeitar o exercício da política, no seu sentido verdadeiro e correto, é não valorizar o compromisso cidadão.
Martin Luther King colocou muito bem isso em um de seus memoráveis discursos: “O que mais me preocupa não é o grito dos corruptos, dos desonestos e dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons”. Quando os sérios se calam, dá oportunidade a que os mal intencionados dominem a situação.
• Integra a série de crônicas “SENTIMENTOS, EMOÇÕES E ATITUDES”.

