Será que o Brasil vai abrir espaços novamente para o “messianismo político”? Esse fenômeno social já nos levou a algumas surpresas desagraveis em épocas pretéritas. O movimento messiânico faz com que parte da população acredite num salvador da pátria. Alguém com poderes e atribuições excepcionais para instaurar uma nova realidade nacional.
A humanidade é muito vulnerável a sentimentos de comoção coletiva. É comum vermos uma pessoa que morre, de repente se tornar um herói. Temos uma inclinação para aderirmos ao discurso de quem se coloca como vindo de uma situação miserável e se apresenta como vencedor na vida, em que pesem todas as dificuldades enfrentadas. Depositamos esperanças e apostamos o futuro, sem medo de arriscar. Começamos a ver nesse messianismo algo como uma predestinação.
Aí reside o perigo. Sem perceber perdemos nossa capacidade crítica e embarcamos na propaganda fácil que promete a instauração de uma “nova política”, ainda que a proposta não se constitua de qualquer direcionamento lógico e viável. Anestesiados, muitos se entusiasmam com a perspectiva de mudança, mesmo que não saibam exatamente o que querem mudar. O que vale é, independente de uma análise mais cuidadosa, adotar como salvação uma candidatura que traz características messiânicas.
O momento exige reflexão responsável. A consciência popular tem que se afirmar, não pela emoção, mas pela razão. O voto é um instrumento importante para exercitarmos a cidadania. Por isso mesmo não podemos desperdiçá-lo numa onda de fanatismo ou de crença cega no abstrato.
Certamente, esse meu convite à reflexão, vai provocar reação dos que se apaixonaram pela causa messiânica. Tudo bem, pelo menos assim, haveremos de produzir um debate que se faz necessário para o tema. Desde que seja um debate dentro dos limites da civilidade e do respeito ao pensamento divergente.

