O ser humano é muitas vezes refém do medo. Experimentamos sensações desesperadoras de impotência, vulnerabilidade, desassossego. São manifestações físicas e emocionais que se apresentam como um alerta diante do perigo, seja ele real ou imaginário. Ficamos inseguros ao nos depararmos com situações de ameaças que causam pavor.
O medo como reação normal, pode servir como aviso previdente de riscos a que possamos estar expostos e que precisam ser enfrentados com coragem. Funciona como uma autoproteção. É a hora de avaliarmos que decisões deverão ser tomadas para seguir adiante, sem sucumbirmos ao domínio do pânico.
São situações em que nos restam só duas alternativas: fugir ou lutar. Os covardes fogem; se assombram e se assustam. Os que querem vencer na vida superam as angústias, as ansiedades, as incertezas, que o medo provoca, e vão à luta. Na fuga não nos permitimos agir com racionalidade, com discernimento, porque nos precipitamos em imaginar que o perigo é maior do que a nossa capacidade de enfrentá-lo. Quando exercitamos nossa consciência crítica, conseguimos distinguir o que é fantasia e o que é realidade, e assim escolhemos as atitudes mais acertadas para vencermos o medo.
Não podemos admitir, que os nossos medos tenham os efeitos de paralisar as nossas ações do cotidiano. Há também aqueles que escondem a sua inércia, passividade, acomodação, por trás dos medos. É a desculpa que encontram quando lhes falta garra para enfrentarem os desafios da vida.
Nas ocasiões em que formos vencidos por esses transes do medo, vivenciados de maneira intensa, exacerbada, fora do controle, o remédio é buscar um tratamento médico, porque já se tornou uma anomalia patológica.
Não vejamos, portanto, o medo como inimigo do homem. Ele é, antes de tudo, um instrumento de autopreservação. É o sinal amarelo que acende advertindo-nos de que devemos parar e olhar para os lados, e avançar quando temos a certeza de que não haverá mais riscos de sofrermos um acidente fatal.
• Integra a série de crônicas “SENTIMENTOS E EMOÇÕES”

