O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apontou que o debate sobre a autonomia geopolítica do Brasil vai polarizar a corrida presidencial de 2026. Em entrevista ao Bom Dia 247, o parlamentar atacou o alinhamento internacional proposto pelo grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando-o como uma tentativa de submeter as decisões estratégicas brasileiras à vontade de Washington.
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Segundo o parlamentar, o governo de Donald Trump adotou uma estratégia para ampliar sua influência sobre a América Latina e passou a tratar a região como área prioritária de interesses estratégicos. Para Lindbergh, esse movimento encontra apoio direto no bolsonarismo.
“Os Estados Unidos querem tratar a América Latina como colônia. E a família Bolsonaro se apresenta como gestora desta colônia.”
O deputado afirmou que documentos divulgados pela administração norte-americana retomam conceitos históricos da Doutrina Monroe, formulada em 1823, segundo a qual os Estados Unidos reivindicam influência predominante sobre o continente americano.
Na avaliação de Lindbergh, essa orientação se traduz em tentativas de ampliar o controle político e econômico sobre países da região, especialmente aqueles que possuem recursos naturais estratégicos.
“A primeira vez na história do Brasil que nós temos um grupo claramente anti nacional, que defende os interesses norte-americanos acima dos interesses brasileiros.”
Segundo o parlamentar, essa postura representa uma ruptura em relação à tradição da direita brasileira. Ele argumenta que setores conservadores do passado mantinham posições nacionalistas, enquanto o bolsonarismo assumiria uma defesa explícita dos interesses de Washington.
Entre os exemplos citados, Lindbergh mencionou propostas relacionadas às terras raras brasileiras, à Petrobras e a ativos considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional.
“Eles querem entregar o Brasil, entregar terras raras, privatizar a Petrobras.”
Para o deputado, esse debate deve ocupar posição central na campanha eleitoral, pois envolve temas que ultrapassam a disputa partidária e dizem respeito ao modelo de desenvolvimento do país.
Lindbergh também relacionou essa discussão às recentes tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos. Segundo ele, medidas econômicas adotadas por Washington reforçam a necessidade de o Brasil defender sua autonomia nas negociações internacionais.
Na avaliação do parlamentar, a defesa da soberania nacional precisa caminhar ao lado da defesa dos direitos sociais. Por isso, ele afirma que temas como a PEC pelo fim da escala 6×1 também deverão integrar o centro do debate eleitoral.
“O nosso discurso tem que ser a defesa do Brasil e a defesa dos trabalhadores.”
Segundo Lindbergh, enquanto o governo Lula aposta na ampliação da renda, na valorização do salário mínimo e em políticas voltadas ao mercado interno, o projeto representado pelo bolsonarismo defenderia mudanças nas relações de trabalho que reduziriam a proteção aos trabalhadores.
O deputado afirmou que propostas defendidas por lideranças da oposição, como remuneração por hora trabalhada, podem comprometer direitos atualmente assegurados pela legislação trabalhista.
Na sua avaliação, a eleição presidencial deverá opor dois projetos distintos: um baseado na preservação da soberania nacional e na ampliação de políticas sociais; outro, segundo ele, marcado pela aproximação com interesses externos e pela redução de direitos trabalhistas.
Ao defender essa linha de campanha, Lindbergh afirmou que o governo deve concentrar esforços em temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população e com a defesa dos interesses nacionais diante do cenário internacional.
Crédito: Brasil 247

