O Brasil na época da mineração, durante o período colonial, foi explorado por contrabandistas que escondiam os metais e as pedras preciosas dentro das imagens dos santos, esculpidas em madeira. Como era oco, seu interior era cheio com os minérios e assim conseguiam passar pela vigilância do fisco. A religiosidade do povo não permitia que as imagens fossem quebradas, o que garantia a passagem pelas barreiras fiscais sem serem flagrados no crime.
Atualmente a sabedoria popular se vale desse histórico para classificar de “santos do pau oco” as pessoas desonestas, hipócritas e dissimuladas. Aquelas que se escondem atrás de uma falsa impressão do bem. Na verdade elas são praticantes de todo tipo de artimanhas e falcatruas. Um dos cenários de concentração desses “artistas” se encontra no rol dos bastidores políticos, onde a arte da interpretação confunde a realidade com a ilusão, ludibriando mentes menos favorecidas com propagandas enganosas.
Se antes era a coroa portuguesa a vítima de enganação por conta das estátuas ocas, hoje é a sociedade brasileira que se sente ludibriada pelos “santos de pau oco” que se apresentam no exercício da política.
O ditado popular não se restringe aos atores políticos, ela se faz presente em todos os ambientes sociais de nossa convivência. De vez em quando descobrimos um “paraquedista” entre nós. Pessoas que pousam de honestas, decentes, integras; conhecidas como politicamente corretas, mas que no decorrer do tempo se mostram desprovidas de qualquer índole, sem o menor senso de moral e honestidade.
• Integra a coletânea de textos que intitulei “REFLETINDO A SABEDORIA POPULAR (ditados, expressões e provérbios)”.