O projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sofreu um duro golpe nas articulações de bastidor nesta quarta-feira (22). O presidente nacional do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PI), comunicou pessoalmente ao parlamentar que a federação formada por PP e União Brasil optará pela neutralidade oficial no primeiro turno da eleição presidencial de 2026, com forte tendência de repetir a postura em um eventual segundo turno.
A decisão de Ciro se soma ao recentes desdobramentos negativos para a articulação do PL, que já havia recebido a recusa formal da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para compor a chapa como pré-candidata a vice-presidente. Apesar do revés, os estrategistas de Flávio pretendem esticar as negociações até o limite do prazo das convenções partidárias e coligações, no dia 5 de agosto, na esperança de uma reação nas pesquisas de intenção de voto.
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Os motivos por trás do recuo do Centrão
Na conversa mantida entre Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira, pesou de forma decisiva a necessidade de garantir autonomia aos diretórios regionais das duas legendas. Ao optar pelo “palanque aberto” nacional, a federação libera seus quadros nos estados para fechar alianças pragmáticas: em praças conservadoras, os candidatos locais estarão com nomes da direita; em palanques do Nordeste e outras regiões, poderão subir no palanque de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para além da engenharia eleitoral nos estados, analistas e líderes do Centrão apontam outros fatores que esfriaram o entusiasmo com a postulação do “zero um”: a percepção de crise e falta de tração na pré-campanha do PL; o receio de que o avanço das investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master expalhe novas suspeitas ou elos com o empresário Daniel Vorcaro e o ressentimento de Ciro Nogueira com o pré-candidato do PL por não ter saído em sua defesa pública quando o dirigente do PP foi alvo de diligências da PF.
“Expectativa de poder às vezes é maior do que o próprio poder”, resumiu uma influente liderança do Centrão ao avaliar o isolamento do PL.
Impasse com o Republicanos trava alternativa de vice
Com o fechamento de portas da federação PP-União Brasil, Flávio Bolsonaro volta suas fichas para tentar atrair o Republicanos — partido que integrava a coligação de Jair Bolsonaro em 2022. No entanto, a sigla comandada por Marcos Pereira também vem emitindo sinais claros de que deve marchar rumo à neutralidade no pleito nacional.
A resistência do Republicanos é alimentada por atropelos do próprio PL nos estados, onde a legenda de Flávio tem lançado candidaturas próprias ao governo em detrimento de nomes competitivos do Republicanos. O caso mais emblemático ocorreu nesta própria quarta-feira em Mato Grosso, onde o PL oficializou a pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL-MT), ignorando a busca por reeleição de Otaviano Pivetta (Republicanos). Impasses semelhantes na composição regional travam os diálogos também em Roraima e no Acre.

