{arquivo}Os últimos dias foram de revelações bombásticas em torno do governador Ricardo Coutinho, a partir das exposições feitas pela Policia Federal de inquérito indiciando 23 pessoas no caso “Jampa Digital”, cujo conteúdo de constatação de desvios de recursos federais advindos do Ministério da Ciência e Tecnologia deixa o Governo do Estado em situação muito difícil porque atinge de cara o vice-governador Rômulo Gouveia como receptador de dinheiro público ilegal para a campanha eleitoral.
Como estratégia de tratamento do problema, a área de Comunicação do Governo resolveu adotar princípios básicos do livro famoso da tática de Guerra partindo para o ataque mas exagerou na dose ao mirar contra a Policia Federal e os veículos de comunicação – Rede Globo e Folha de São Paulo gerando, como se deu nesta segunda-feira reação imediata da Policia Federal, através da entidade dos delegados, ratificando todas as denúncias.
Ao invés de expor de forma mais explicativa ponto por ponto do Inquérito, minuciosamente, desconstruindo as acusações com explicações técnicas regimentais, o Governo partiu para o perigoso enfrentamento com as instituições criando abrigo de graves consequências até porque desta forma PF, AGU, MPF, etc, passam a agir com mais interesse em acelerar a exposição das provas, que dizem ser contundentes.
Leiamos o que diz a Nota Oficial da Associação Nacional dos Delegados da Policia Federal sobre as argumentações do Governo, através da SECOM/PB:
– As investigações realizadas nos autos do Inquérito Policial nº 95/2012 pautaram-se por rigorosos parâmetros de técnica investigativa, reunindo, ao final, indícios inequívocos de autoria e materialidade de crimes licitatórios, desvio de verba, corrupção e lavagem de dinheiro.
A questão em voga e mais importante ainda não é, pela ótica das instituições, condenar ou gerar juízo de valor sobre envolvidos, entre eles o governador Ricardo Coutinho, posto que a argumentação é de que ele não foi indiciado – e de fato não o foi – mas muito provavelmente isto não se deu porque Chefe de Governo tem Foro privilegiado e precisa de autorização do Supremo Tribunal Federal para qualquer indiciamento – aliás, algo que a PF pede que se faça.
Trocando em miúdos, a partir de agora de pouco valerão táticas localizadas na aldeia de acusação às instituições ou até mesmo manipulação de alguns veículos e profissionais de comunicação do Estado no estancamento dos fatos, porque isto terá pouca serventia, uma vez que o processo tomou conotação nacional e a partir de então cada vez mais os dados já não mais em segredo de Justiça devem ser exposto com maior frequência pela Midia Nacional.
O fato mais grave é que todo o conjunto de dados e circunstâncias afeta o maior patrimônio do Exmo Sr Governador – ou seja, a imagem de homem probo e de zeloso com o dinheiro público, o que lhe fez chegar aonde chegou até porque usou desses valores para acusar a outrem se consolidando pela Ética na Política, agora fortemente abalada com as denúncias.
ANTES, O DIREITO DE DEFESA
O governador está sentindo na pele o que conviveu, a partir de suas próprias iniciativas, que foi atacar lideranças políticas como o ex-prefeito Cicero Lucena, durante toda a sua formação e trajetória levando muitos ao juízo de valor precipitado, ou seja, à condenação moral sem direito de defesa de acusados.
Não é o caso de agora, desta análise sobretudo, porque precisamos acatar a tese de que o governador é inocente até prova em contrário, por isso ao invés de atacar pessoas ou instituições ele precisará apresentar provas de que é de fato inocente.
Particularmente, advogado a tese de que ele argumenta dentro de princípios de honestidade e como tal precisa ser abrigado, acatado, compreendido, mas vai ter de mostrar por A mais B, pois em outro cenário será o desmoronamento de toda a sua trajetória impecável como líder político.
Vamos aguardar e não fazer juízo de valor precipitado. Não vamos fazer como tanto se fez lá atrás, inclusive pelo próprio Ricardo, mesmo diante de muitos indícios.
ENFIM, A LISTA
Como se esperava, enfim a Imprensa teve acesso e divulgou os nomes de alguns indiciados pela PF no inquérito do caso ‘Jampa Digital’. Confira abaixo:
– Rômulo Gouveia – vice-governador do Estado;
– Gilberto Carneiro da Costa – Atual Procurador Geral do Estado e ex-secretário de Administração da Prefeitura de João Pessoa;
– Duda Mendonça – publicitário;
– Cristiano Galvão Brochado – ex-funcionário da Empresa Ideia Digital, que teria ajudado na elaboração do documento, frustrar ou fraudar, mediante ajuste no procedimento licitatório;
– Paulo Badaró de França – ex-secretário de Ciência e Tecnologia, que sucedeu o ex-secretário e atual ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro;
– Ronaldo Deutman Alves – responsável por elaborar o orçamento com relação aos valores e propostas apresentados;
– Roberto Takamure – apresentou documentos falsos e concorreu para a frustração do caráter competitivo da licitação;
– Armstrong Zanellato – apresentou procurações dos outros concorrentes;
– Mário Wilson do Lago Júnior – por ter direcionado a licitação em um jogo de ‘cartas marcadas’;
– Paulo de Tarso Araújo de Sousa – por ter indícios de também ter direcionado o processo de licitação;
– Dilson José de Oliveira Leão – teria participado de conluio de contábeis que definiu o orçamento.
– Oscar Oswaldo Iglesias Flores – teria apresentado documentos, ideologicamente falsos, se passando por representante de empresa e, pelo caráter competitivo, concorrido no processo de licitação;
– Ricardo de Araújo de Sousa – teria também apresentado documentos falsos também e concorrido no processo de licitação.
TEM MAIS
À boca miúda, surgem informações de que até a próxima semana devem ser apresentados novos documentos bombásticos.
Danou-se!
ÚLTIMA
“Aqui se faz/ aqui se paga…”
