No dia sete de maio de 1921 nascia em Cajazeiras, no alto sertão da Paraíba, um homem que entendeu que a essencialidade de sua vida deveria ser sempre proceder com integridade. Nele encontramos como verdade a afirmação de Charles Chaplin quando dizia que “o verdadeiro valor de um homem é o seu caráter, as suas idéias e a nobreza dos seus ideais”. Assim ele pautou sua existência, construindo uma personalidade de absoluta retidão em tudo o que fazia.
A modéstia que caracterizava seu modo de ser fez com que silenciosamente passasse pela vida sem propagandear essas suas qualidades, porque compreendia que ser bom, ser correto, ser íntegro, é dever, não virtude. Fugia dos holofotes e dos destaques noticiosos, mesmo tendo assumido funções importantes, tanto no campo da administração pública, quanto no mundo da intelectualidade. Tinha a convicção de que sua missão na terra era fazer o bem, comportamento que deixaria como legado honroso para seus descendentes.
Parece até que na dimensão extra terrena em que ele está hoje, fica ainda inibindo qualquer ação que possa enaltecer seus méritos em vida. Na Paraíba não há qualquer homenagem póstuma prestada à sua memória. Talvez porque continue consciente de que não são as reverências manifestadas na colocação de seu nome em obras de pedra e cal que faça seus conterrâneos reconhecerem seu valor intelectual e moral, mas sua obra cultural, uma história de vida sem máculas, um exemplo como homem público, como esposo, como pai e como amigo solidário dos que tiveram a ventura de com ele conviver.
Ao comemorarmos o aniversário do seu nascimento, orgulhosos da ascendência genealógica, junto à imensa saudade, permanecemos com um sentimento de alegria pela herança que ele nos deixou, mais valiosa do que qualquer bem patrimonial.
Aos netos que não tiveram a oportunidade de conhece-lo pessoalmente, podemos transmitir, sem medo de estar cometendo erros, a informação de que o avô deles foi sempre um homem que valorizava a decência e a ética no viver.
Seu nome: Deusdedit Leitão. Autodidata, historiador, escritor, profundo conhecedor da genealogia e da heráldica, pesquisador por vocação, servidor público retilíneo e honesto. Marcas de uma biografia. Assim ficará ele eternamente na imagem dos seus descendentes e dos paraibanos que o conheceram. Uma herança, portanto, que nos envaidece, mesmo sabendo que a vaidade era algo que ele desprezava.