A cena poderia ser apenas mais uma em uma sala de aula comum, onde teorias administrativas ganham vida e projetos acadêmicos tomam forma. Mas algo chama atenção: duas crianças sentadas ao lado da mãe, dividindo não apenas o espaço, mas também um sonho.
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A realidade vivida por Wanessa Marinho, 32 anos, mãe solo e estudante do 6º período de Administração da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), integrante do maior e mais inovador ecossistema de educação de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, reflete a de milhões de brasileiras. Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado entre 2023 e 2024 aponta que o Brasil possui mais de 11 milhões de mães solo.
O cenário evidencia os desafios enfrentados por essas mulheres para conciliar trabalho, cuidado com os filhos e acesso à educação, fatores que tornam trajetórias como a de Wanessa ainda mais representativas. Ela encontrou na educação um caminho de transformação e, na sala de aula, um lugar de acolhimento.
“Entrei na faculdade quando Manuela tinha 2 anos e Maria Luísa, 5 anos. Foi e ainda é desafiador, mas muito gratificante saber que posso compartilhar o sonho da graduação ao lado das minhas filhas. Longe de me impedir, elas me impulsionam a seguir”, relata.
A história da estudante é marcada por adaptabilidade e mudanças de planos. Ela precisou adiar o sonho do ensino superior para priorizar o trabalho. “Não tive a oportunidade de ingressar na faculdade ainda jovem, pois precisava trabalhar e a graduação parecia distante. Hoje tenho duas joias cheias de sonhos e curiosidades, e senti a necessidade de recomeçar, de ser alguém que também as incentivasse a enxergar novas possibilidades”, relembra.
O que poderia ser visto como um obstáculo transformou-se em símbolo de resistência e também de aceitação. Wanessa precisou levar as meninas para a sala de aula em algumas ocasiões e ressalta que nunca esteve sozinha dentro da FPB. “Sou muito acolhida por todos os professores, sem exceção, e também pelos colegas de turma. Minhas filhas nunca foram motivo para eu deixar de fazer o que precisava ser feito”, enfatiza.
Inspiração
Entre todos os apoios recebidos, um nome ganha destaque: a professora Camila Arruda. “Sem ela, em especial, eu não teria conseguido”, reconhece a estudante.
Inspirada por uma pedagogia humanizada, a professora, que acompanha Wanessa desde o primeiro semestre, afirma que ensinar vai além do conteúdo. “Me inspiro muito em Paulo Freire, que nos ensina que educar é um ato de amor. Para mim, essa experiência reforça a importância de uma educação humana e acolhedora, que aproxima pessoas”, reforça.
Wanessa segue construindo algo maior que a própria formação. Transforma a rotina em exemplo e o esforço em aprendizado compartilhado, não apenas para si, mas para quem cresce observando, de perto, cada passo dessa trajetória.
