{arquivo}Quem primeiro me despertou para a morte do ex-governador do Estado, Dorgival Terceiro Neto, foi o irrequieto neo-aposentado jornalista Chico Pinto. De cara, sem nem pestanejar, lá me vem à mente seu andar defronte ao Pão de Açúcar, no Retão de Manaíra, devagar e sempre até se refastelar olhando as iguarias do supermercado.
Deus me livre se fazia juízo de valor errado, mas a impressão quando o via ali na calçada perto de seu AP, em Manaíra, era de que estava querendo se esconder dele mesmo fingindo fumar escondido da família porque, se teve um vicio que o fez companheiro durante muito tempo, este foi o de tragar.
Nunca fui de conversa com ele – azar o meu – mais pelos desencontros da vida e das gerações, mas a imagem que guardo de Dorgival Terceiro Neto é do Homem Público que exerceu o Poder na dimensão do que a cultura sensata exige, ou seja, soube se impor como Autoridade sem precisar levantar a voz nem andar com capangas ou um batalhão de militares ao redor.
Tinha moral para andar sozinho e ser respeitado pela sua historia digna e exemplar.
Mais do que isso: se impôs pelo mister oficio de fazer o que era de sua obrigação. Cumpria o expediente comum a um homem responsável, soube dar ordens e exigir os resultados impostos pela aspiração do povo – este mantenedor do Serviço Público e de seus dirigentes, com um valor imensurável, sobretudo quando se fala em tempo presente: soube distinguir dinheiro público de dinheiro privado, pois nunca misturou os cifrões de que comandava.
Se reparar bem, Dorgival leva consigo a cultura de uma geração irrequieta e proba.
Aliás, vamos ter de fazer um parêntese uma vez que sua origem em sendo de Taperoá precisa ser tratada diferente porque, num sei porque bexiga lixa tem tanta gente daquela cidade com tons geniais, como se o barro ou a água de lá afrouxasse o quengo das pessoas e as fizesse divinamente especiais.
É de lá, só lembrando de supetão, a lavra e origem de gente como Manoelito Vilar, Vital Farias, Balduino Lélis, Silvio Meira (genial Silvio Meira), Fuba sanfoneiro. A minha outra impressão é que Ariano Suassuna se tivesse dependido dele teria nascido em Taperoá, exatamente ao lado de Manoelito, irmãos de cacoetes e pensamentos libertários, ao invés de ter saído do ventre materno em pleno Palácio da Redenção, de onde neste sábado, Dorgival segue para o plano superior.
Os personagens do “Auto da Compadecida”, de Ariano, bem sabem do que digo quando me refiro às tranquinices de Taperoá.
Mesmo sendo tão pouco, só resta a solidariedade na dor a partir da viúva, Dona Marlene – esteio e sustentação em todas as horas das inquietudes “dorgivalneanas”, e de sua prole, querida e abençoada por valores de família impecável.
A Academia Paraibana de Letras está de luto, mas o Céu ganhou um Homem de Bem, exemplo na terra dos homens pecadores, mas abençoado por Deus, guardião dos seres que se encantam.
ÚLTIMA
“O nome/ a obra imortaliza…”

