Os fluidos rejuvenescidos do (e não da) Última Estação

                                                             Para Juileta Gadelha e Joanildo Mendes, madrugadores

{arquivo}Até onde a memória alcança,  havia um endereço no Baixo Tambaú, de nome Última Estação, em plena muvuca – agito especial, que foi o point dos notívagos de João Pessoa dos anos 90 regado à presença de muita gente expressiva no mundo musical, a partir de Glauco, Sérgio Galo, André Correia Chiquinho Lino (a base) e uma quantidade qualificada muito especial fazendo do bar de Ana Maria Gondim o “ abrigo qualificado da noite”, referência musical da cidade.

Vivi de perto toda a concepção do sonho “anagondiano”, desde a concepção, a instalação, a luta pela manutenção e a necessidade de estancar um espaço empresarial de valor, mas que a grande quantidade de “penduras” – pedidos de consumo sem pagamento e a sazonalidade de freqüência de público de alguma forma serviram para sustar uma das mais fortes vitaminas culturais da noite da capital paraibana.

Nem preciso falar ainda de Erick von Söhsten e das “canjas” de músicos de primeira grandeza como Fabíola Lira, Thayse Gadelha, Banda Absurdus, Sandra Borges, Grupo Nossa Voz, Tadeu Mathias.

Sejamos francos: Ana Gondim e sua expertise para a vida cultural e de eventos lhe fez convicta de que estava de fato preparada para conduzir, mais do que um bar a produção noturna de boa qualidade musical de João Pessoa daí sua determinação de enfrentar os labirintos das noites em que, só quem é do ramo pode identificar quanta coisa boa e muita má estão em torno dos desejos noturnos;

Lembro bem das presenças extraordinárias – tenho na mente muito claro – de Alceu Valença, Lenine, Chico Cesar, Jarbas Mariz, Cassia Elen, etc, sempre considerando o bar ULTIMA ESTAÇÃO como o abrigo extraordinário da canção e dos conluios afetivos e desejosos da noite do baixo Tambaú.

Este cenário farto e vasto está levando a inquietude de Ana Maria Gondim a reviver num tamanho 3 x 4, um flashback noturno toda uma fase histórica de gerações hoje tomadas de saudades e de memória incomum de prazer já não mais revisitado.

Quando quer, Ana Maria é foda (no bom sentido), saculeja, instiga e convoca a todos a um momento de revivência da vida passada que hoje pode ser mais do que referencia um estimulo a cultivarmos o amor e prazer de viver ao lado dos sonhadores e notívagos de sempre.

Quem vai negar um apreço, um aceno de paz e amor? Ana Maria Gondim sacou isso,porque ela é além do trivial.

EM TEMPO

Seu Ramiro e Dona Creuza que me permitam: era tempo que tinha por perto a luz roseana de uma grande história.

ÚLTIMA

“Lá vem chegando o verão
No trem da estação da luz…”

 

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