O ABC DO BOM GOVERNO

 

              Os governantes são eleitos pelo povo para promover o bem comum da sociedade. São eles que, na democracia, exercem o poder executivo do Estado, em desejável harmonia com os poderes legislativo e judiciário.

              As ações governamentais clássicas voltam-se ao atendimento das necessidades sociais e coletivas básicas (justiça, educação, saúde, segurança, infraestrutura etc.). Contemporaneamente, é indispensável, também, cuidar do meio ambiente e promover o desenvolvimento econômico e científico-tecnológico, o exercício da cidadania e a inclusão social.

              Os governos devem ser bem avaliados pelo que fazem em prol do desenvolvimento econômico sustentável, socialmente inclusivo, democrático e transparente. Para tanto, há um apreciável e coerente conjunto de indicadores econômicos, sociais, políticos e ambientais. Atualmente, já se pode avaliar objetivamente o que é, o que devia ter sido e o que poderá constituir os fundamentos de um bom governo.

              É ridículo um governante cobrar dividendos políticos e sociais por ter sido ou ser honesto, ético, moralmente idôneo, austero e cumpridor da lei. A prática dessas virtudes é o seu dever mínimo. Deve ser assim, em todo o Brasil, à luz dos princípios constitucionais que pautam a administração pública (Art.37 da CB).

              A eleição de uma pessoa como governante não tem a magia de elevar ao infinito a sua capacidade intelectual. Muitos pensam e agem como se assim fosse. Ao assumirem o poder, passam a querer saber muito de tudo: economia, engenharia, direito, educação, saúde, agricultura, ecologia, etc. Isto tem contribuído para a formação de equipes de governo de discutível competência. Os componentes desses quadros dirigentes têm que assumir o compromisso básico de dizer, sempre, amém ao que o Chefe, pretensamente onisciente, pensa e quer fazer. A mediocridade assume força e forma de sabedoria, com pesados danos à sociedade.

              Os governos medíocres são avessos às avaliações metodologicamente rigorosas. E haja autoelogio baseado em obras e ações pontuais. A regra é propagar pela mídia uma relação de novas edificações, estradas, iluminação pública, aquisição de equipamentos, realização de concursos públicos, aumentos salariais aos servidores, etc. Menosprezam o fato de o estado ou os municípios que governam terem economias decadentes e as piores condições de vida do país. O que demonstra, claramente, a pequenez do que vem sendo feito, em termos de substância e relevância.

              Na Paraíba, historicamente, os governantes do estado e dos seus municípios têm recorrido a essa metodologia enganosa de autoavaliação. Não raro tentam repassar essa generosa avaliação de seus governos à sociedade, como se houvesse sido feita por esta.
 

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