Mesmo sendo um otimista quanto ao nosso futuro político, vejo com certa preocupação a passividade com que a população assiste os acontecimentos em que está inserida. A postura um tanto alienada do povo brasileiro tem retardado o avanço político que nos possibilitaria uma melhor cidadania e uma prática de governos mais comprometida com os interesses coletivos.
Temos demonstrado uma impressionante incapacidade de nos orientarmos na conformidade dos nossos desejos, aspirações e necessidades, ensejando o surgimento da feição personalista e demagógica dos governantes.
O que observamos ao longo da nossa história política é que valem mais o poder econômico, a capacidade dos discursos bonitos e os recursos da propaganda, na definição das nossas lideranças. O eleitorado voltado às paixões pelo futebol, ao consumismo, ao carnaval, à despreocupação com os problemas sociais, se aliena, e comete equívocos que trazem malefícios que só vem perceber depois. Estamos sempre, por isso mesmo, buscando encontrar o “líder carismático”, o “salvador da pátria”, criamos o mito do chefe político.
Ainda bem que já testemunhamos mudanças de comportamentos, de valores, de conceitos, de visão. Um tanto tímidas, na verdade, mas bem sinalizadoras de que começamos a sair dessa letargia que me preocupa.
A não percepção dos acontecimentos em que estamos inseridos é preocupante, assim como, a falsa interpretação dos fatos em razão das paixões estimuladas por admiradores entusiastas que ressaltam a importância das ações políticas dos seus chefes políticos. Os politiqueiros de plantão propagam o discurso fácil de seus comandantes políticos, iludindo as massas com falsas promessas e com atitudes populistas que se transformam em grandes feitos. Nos transformamos em massa de manobra deles. E o que é pior, uma parte da população acredita, porque de alguma maneira depende do poder, e outra grande parcela simplesmente se omite, não participa. E a omissão beneficia o corrupto, o mau político, o governante irresponsável. Se não pode reagir, assume uma posição passiva. Como se não bastasse, muitos ainda dizem, ”não adianta lutar contra os poderosos, eles sempre vencem”. Essa tese, graças a Deus, começa a ser desmentida.
Por conta disso, gera-se um círculo vicioso, onde uma minoria procura a todo custo se perpetuar no poder em detrimento da maioria marginalizada.
Então verificamos que somos responsáveis por tudo o que nos acontece. Somos promotores do nosso próprio atraso político. E sofremos as conseqüências disso.
Vem a pergunta que não quer calar. Somos cúmplices ou vítimas ? Acho que as duas coisas. Infelizmente.
