Novembro/1968: Ronaldo se elege prefeito de Campina

 

As campanhas politicas em Campina Grande sempre foram marcadas por grande movimentação. Palco de grandes embates eleitorais, Campina destaca-se por ser berço de grandes lideranças politicas de nosso Estado.

Apesar do pouco entusiasmo nacional pelas eleições de 1968, a cidade serrana não perdeu sua característica de participação ativa do seu povo nas campanhas. Seis chapas disputavam o comando da prefeitura. Utilizando-se da faculdade que a nova legislação eleitoral oferecia, cada partido registrou três chapas concorrentes. Nos palanques grandes tribunos empolgavam a população daquele município e do seu entorno. A Paraíba inteira acompanhava com interesse o desenrolar da campanha na sua segunda mais importante cidade. Campina, aliás, históricamente, sempre foi um degrau na escalada politica das grandes personalidades da vida pública paraibana. O governador João Agripino dedicava especial atenção ao pleito campinense, participando dos comícios da ARENA.

Ainda que efervescente a campanha transcorreu sem incidentes. Com o comparecimento de mais quarenta mil votantes, o equivalente a oitenta por cento do seu eleitorado, as urnas apontaram o seguinte resultado:
Severino Bezerra Cabral/Raimundo Asfora        –  ARENA 1 –            17.568
Ronaldo da Cunha LIma/Orlando Almeida          –  MDB     1 –            13.429
Vital do Rego/Langstein Almeida                            –  MDB     3 –           8.415
Plinio Lemos/Evaldo Gonçalves                              –  ARENA  2 –             635
Osmar de Aquino/Antônio Figueiredo Agra        –  MDB     2 –                   312
José Stênio Lopes/Amaury Vasconcelos              –  ARENA  3 –               241.

Somados os votos de cada partido, o MDB quantificou 22.156 votos, enquanto a ARENA totalizou 18.444 sufrágios, o que conferia vitória, portanto, ao candidato mais votado da legenda do MDB. Assim, Ronaldo da Cunha Lima, era eleito prefeito de Campina Grande, cargo no qual passou poucos meses, pois foi cassado pelo AI-5 em março de 1969.

O resultado provocou insatisfações como era de se esperar. Severino Cabral, por ter obtido o maior número de votos individualmente, manifestou em declaração publicada nos jornais do Estado sua discordância do processo, julgando-se prejudicado pelo instituto das sub-legendas. Assim se pronunciou “seu” Cabral, como era conheccido, logo após proclamados os resultados do pleito:
“Aqui estou como o eleito do povo que a legislação não deixou tomar posse.
Eu e Asfora, meu dedicado companheiro de chapa, apesar de reconhecermos a autoridade da Lei Eleitoral, que nos privou do governo de todos, mas, sobretudo, dos pobres e oprimidos, somos obrigados a proclamar que a soberania do povo foi violentada.
Ganhamos por vasta maioria e, no entanto, nos arrancam o poder que o eleitorado livremente nos deu.
Não conseguiram nos derrotar, porque ninguem derrota o povo, mas um dispositivo antidemocrático nos priva de servir aos campinenses, que era nossa única e grande ambição
Um dia, porém, se Deus quizer, a vontade popular irá prevalecer. Então voltaremos ao governo de Campina, e, conosco,  todas as classes sociais, do operário mais humilde à elite dirigente, para uma tarefa de prosperidade econômica e bem estar social do nosso município.
Esse é o programa da minha vida.
Somos os vitoriosos por esmagadora maioria. E se tenho esta honra, meu pesar é de não poder realizar, à frente da Prefeitura, tudo o que ainda desejo fazer por Campina Grande”.

Por outro lado, Ronaldo Cunha Lima, comemorando sua eleição, produzia a seguinte declaração pública: “Atribuo a minha vitória à compreensão do povo campinense, à sua evolução politica, porque foi o povo de Campina Grande que compreendeu as nossas mensagens, que acudiu ao nosso apelo, e, através ds urnas, deu um pronunciamento favorável à nossa vitória. Vencemos uma batalha, mas temos outra luta a enfrentar, porque agora aumenta a nossa responsabilidade, porque sabemos a fase difícil porque passa Campina Grande. Acredito que, pelo menos, boa vontade e energia eu possuo. Quero apenas que Deus me ilumine para que possa fazer um governo à altura de Campina Grande”.

Foi uma eleição em que disputavam candidatos bons no verbo politico, principalmente no MDB que contava com tribunos do nível de Ronaldo, Vital e Osmar de Aquino. No palanque da ARENA destacava-se a oratória de Asfora, vice de Cabral, Evaldo Gonçalves, companheiro de chapa de Plinio Lemos, e Amaury Vasconcelos, vice de Stênio Lopes.  Verdadeiras multidões compareciam aos comícios para ouvir os discursos desses grandes oradores.

Ronaldo Cunha Lima, cassado pouco tempos depois de tomar posse, voltaria à prefeitura de Campina Grande em 1982, depois de cumprir os dez anos de inelegibilidade que lhe impôs a ditadura militar.

* esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
* comentários e informações adicionais devem ser encaminhados para o email: iurleitao@hotmail.com
 

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