Os incidentes do dia vinte e três e o pronunciamento do Governador responsabilizando o professor Otacilio de Queiroz por incitar e comandar o movimento estudantil, continuavam repercutindo e provocando manifestações de protestos e de solidariedade às vítimas das agressões.
O Comitê de Artistas Livres, a Associação Paraibana de Imprensa – API e a Associação Cultural de João Pessoa, distribuiram nota conjunta condenando a atitude dos policiais, especialmente o espancamento do escritor e professor Otacílio de Queiroz.
O Presidente do Sindicato dos Bancários endereçou telegrama ao Governador João Agripino, nos seguintes termos:
“Diante lamentáveis acontecimentos quarta feira última, quando policiais espancaram barbaramente estudantes que ordeiramente realizavam manifestações, formulamos enérgico protesto junto a Vossa Excelência. Não entendemos como o governo autoriza espancamento dos próprios conterrâneos que nenhum crime cometeram. Entendemos que o governo eleito pelo povo deve colocar-se a seu favor e não contra. Cumpre-nos repudiar atos desta natureza que contrariam elementar direito de reunião.
João Fragoso – Presidente do SBPb”.
Na comunidade acadêmica foi grande a insatisfação com o que aconteceu, principalmente em relação às declarações do governador. Os jornais do dia vinte e seis de outubro publicaram manifesto assinado por vários professores universitários registrando a preocupação com a crise instalada, particularmente com a forte repressão policial que vinha ocorrendo na Paraíba.
“Para o povo sensato e ordeiro da Paraiba a postura dos repressores é sobretudo ridícula. Jamais se alcançará o heróico ou a salvação da pátria com metralhadoras apontadas para a barriga de adolescentes imberbes, ou cassetetes funcionando contra colegiais e universitárias indefesas.
Protestamos de público contra a indébita agressão de que foram vítimas o professor Otacílio de Queiroz e estudantes de nossas escolas superiores, na tarde do dia vinte e três, por autoridades que normalmente deveriam assegurar o exercício dos direitos democráticos do povo.
Cientes da gravidade nacional da hora presente e conscientes das responsabilidades como educadores, repudiamos os sádicos processos policiais empregados na repressão aos nobres anseios da Democracia, Liberdade e Justiça da mocidade brasileira.
Apelamos para o bom senso dos responsáveis por tais desmandos e abusos, muitos deles fanatizados e dominados por ressentimentos politicos e ideológicos.
Os signatários deste documento sabem que, diante da evolução perigosa da permanente crise brasileira, poderão vir a perder sua liberdade. Todavia, jamais perderão o senso de objetividade e de justiça, necessário ao julgamento dos fatos e dos homens que, eventualmente, detêm o mando e o comando deste país”.
Assinaturas de : Cláudio Santa Cruz Costa, Antônio de Pádua Câmara, Carlos Montenegro Guerra, Heitor Cabral, Ronald de Queiroz Fernandes, Sindulfo Guedes Santiago, Ednaldo Dias de Barros, Osvaldo Trigueiro do Vale, Antônio Pereira da Silva, Tercílio Cruz, Joacil de Brito Pereira, Rui Gomes Dantas, Arnaldo Tavares de Melo, Oliveira Lima, José Maria de Araujo Dantas, Beatriz Maria Soares Pontes, Maria Thereza Prost, Telma de Figueiredo Martins e Julio Goldfad.
* esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
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