Cultura e reverência a Luiz Gonzaga

{arquivo}Até onde a vista alcança, embora haja menção de homenagem a Luiz Gonzaga nas festas de São João de Campina Grande, Caruaru – de sorte nos ambientes juninos do Nordeste, sou dos que defende a tese, segundo a qual o Rei do Baião não tem recebido a reverência à altura de sua importância nacional.

Mas, ontem, no CHOPP TIME – de Diego e Delano Tavares, pude atestar como a essência da obra de Gonzagão pode ainda ser mais explorada pelo universo midiático e cultural brasileiro dado a vastidão gonzagueana. Lis Albuquerque e Renata Arruda arrasaram com a releitura do significado do Mestre.

A começar pela performance depurada de Lis, que abre o espetáculo com a invocação do improviso mesclando a nordestinidade poética com letra, se não me engano de Escurinho/Alex Madureira, de forma bem humorada e atrativa até chamar ao palco a rejuvenescida Renata Arruda.

Durante o espetáculo, Renata revisita as principais canções interpretadas por Gonzagão com o reforço luxuoso de uma banda qualificada tendo o acordeon extraordinário de Eduardo Araujo – sem deixar de mencionar o aporte vocal de Wanini e Geno – a encantar o público pela postura da artista em fase de amadurecimento mesclado com depuração qualitativa no vibrato e forma de se apresentar.

Há um tempo também no show no qual ela recorre ao violão para inserir no repertório tomado dos grandes sucessos de Luiz Gonzaga uma fase mais contemporânea dos clássicos do forró imortalizado por Flávio José, por exemplo, mesmo se sabendo que são letras de Petrúcio Amorim e Maciel Melo – dois excelentes compositores do Nordeste.

Soberana em palco, depois de tomar-se de vermelho na segunda fase do show intermediado mais uma vez por Lis Albuquerque, também em ótima fase artística, Renata Arruda mostrou que é artista a passear com domínio por vários ritmos e opções musicais, já que viveu tempos atrás reverenciando o samba, consolidando – se com um show espetacular.

Show que poderia estar sendo dimensionado Nordeste afora até entremear-se com a ambiência de São Paulo e Rio, que precisam tratar melhor o cancioneiro e a história de Luiz Gonzaga.

Felizmente, Renata e Lis estão fazendo sua parte, magistralmente.

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