A notícia de que entre os prisioneiros do Congresso da UNE em São Paulo estavam vinte e cinco paraibanos, agitou os meios políticos e estudantis da Paraíba. As lideranças universitárias e secundaristas mobilizaram a categoria e partiram para atividades de forma a pressionar o governo a libertar os companheiros. Dois universitários se deslocaram a Campina Grande com o objetivo de percorrerem todos os palanques da campanha eleitoral para a prefeitura daquela cidade, que estava em plena movimentação. Simão Almeida e Francisco Barreto, se revezaram nos discursos em cada comício que ali se realizava, denunciando as prisões dos colegas e conclamando a população campinense a exercer força de pressão para que os mesmos fossem libertados.
Coube a Simão Almeida a oportunidade de discursar no comício da ARENA em que também se fazia presente o Governador João Agripino, referindo-se à prisão dos estudantes em Ibiuna, enfatizou que “esta atitude repressiva e ditatorial ameaça a liberdade também de nove campinenses, a essas horas presos e incomunicáveis , o que é um crime”. Logo depois, ao usar da palavra, o governador garantiu, publicamente, que estava disposto a patrocinar a defesa dos estudantes paraibanos presos em São Paulo, e para tanto usaria do seu prestígio pessoal junto às autoridades federais competentes. Chegou, inclusive, a citar um episódio em que teria mandado libertar o ex-presidente da UNE, Luiz Travassos, quando foi preso em João Pessoa pela Polícia Federal, sem que isso tivesse resultado em aplausos da oposição à sua atitude. De fato no dia seguinte João Agripino viajou a São Paulo com a intenção de negociar junto ao governador Abreu Sodré a liberdade dos seus conterrâneos.
Em outro palanque o candidato a vice-prefeito Langstein de Almeida, ao condenar o governo pela prisão dos líderes estudantis, afirmou: “os militares temem a união dos jovens que exigem justiça, porém ainda não é com prisões que calarão os estudantes”.
As entidades representativas dos estudantes, a UEEP – União Estadual dos Estudantes da Paraiba, o DCE da UFPb e os DAs das escolas superiores, mantinham-se em assembléia geral, organizados em grupos e comitês na salas de aulas. No dia quinze de outubro, mesma data em que o governador se comprometia em praça pública desenvolver gestões para soltura dos paraibanos presos, lançavam um manifesto protestando contra os últimos acontecimentos que culminaram com a dissolução do Congresso da UNE e a prisão de mais de mil e duzentos colegas militantes do movimento estudantil.
No manifesto elegiam como prioridade a “luta pela libertação dos companheiros e pela realização do XXX Congresso, para a qual devemos voltar todas as nossas energias”, e decidiam “mobilizaremos os estudantes nas escolas e nas ruas, levando nosso protesto contra o ato policial, a todos os setores da opinião pública. Para que nossa luta tenha êxito é necessário um mínimo de organização em função dessa própria luta, ao tempo em que avançamos radicalizando-a na medida em que a repressão se manifestar”.
Concluiam advertindo: “A liberdade dos colegas será conseguida com a luta do movimento estudantil, desmascarando os politicos demagogos, agora, mais do que nunca, oportunistas. A UNE será mantida nas escolas e nas ruas até o último estudante, pois ela é a condutora das lutas estudantis e contribui para a libertação nacional do povo brasileiro”.
Universitários e secundaristas realizaram comícios relâmpagos em João Pessoa, no Ponto de Cem Réis e na Avenida Padre Meira, na manhã do dia dezesseis, acusando o governador paulista, Abreu Sodré, de ter praticado um “atentado à democracia”. Declaravam em seus discursos: “como sempre mais um congresso livre foi dissolvido por agentes do DOPS” e que “o movimento estudantil, mesmo assim, não foi abalado, continuando em sua luta pelas conquistas democráticas”.
Em Campina Grande os estudantes, à noite, ocuparam a rua Marquês do Herval, realizando uma concentração pública, quando os oradores que se sucediam condenavam a politica educacional do governo, a repressão policial e a prisão dos colegas no interior paulista.
• Esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
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