Maio/1968: TROPEIRO – a campeã

 

Luiz Ramalho foi um dos paraibanos que se consagraram a partir da “era dos festivais” por suas participações vitoriosas tanto na Paraíba, quanto nos certames promovidos a nível nacional. Seu apogeu foi em 1980 quando a música de sua autoria FOI DEUS QUEM FEZ VOCÊ, vice campeã do Festival da Música Popular Brasileira realizado pela Rede Globo, interpretada por Amelinha, ocupou por vários meses a liderança das paradas de sucesso em todo o país.
 

No Festival Paraibano da MPB em 1968, inscreveu cinco composições entre as trinta e seis selecionadas pela Comissão Julgadora: “Código do cangaço”,”Mini estória de uma canção”, “Tropeiro”, “Utopia” e “O Sol”.
 

O compositor Luiz Ramalho avaliando o festival afirmava “o movimento da música moderna na Paraíba tem contado com a colaboração do povo paraibano e pelo que pude observar no último festival, já se incorporou à tradição de João Pessoa, repercutindo inclusive em outras capitais do Nordeste. Entendo que a Paraíba já tem condições de se fazer representar em festivais de músicas do sul do país, como o da Record e da Excelsior, e apresentar um nível compatível com a qualidade dos festivais. E o compositor Marcus Vinicius trouxe do Rio a informação de que há interesse de lançamento de compositores novos no sul do país”.
 

Analisando o novo tempo da música brasileira colocava: “Quando se quer falar em moderna música popular se depara com uma grande dificuldade: a distinção entre o que é moderno e o que é antigo ou “quadrado”. De uma coisa não temos dúvidas: a música “quadrada” dificilmente transpunha as fronteiras do país. Temos casos isolados como “Aquarela do Brasil” que, ainda assim, foi gravada no exterior em ritmo de rumba. Foi a bossa nova que ampliou as fronteiras geográficas de nossa música, despertando o povo para o que estamos nos referindo. Passando pela fase do jazz, caso de João Gilberto e pelo afro (Jorge Bem), o samba conseguiu afirmar-se aqui e no exterior como prova o sucesso alcançado recentemente por Elis Regina”.
 

A música “TROPEIRO’, de sua autoria, obteve o primeiro lugar no festival, cantada por Francisco Zacarias que viria a ser premiado como o melhor interprete do certame.
 

Eis a letra da música: “Quebrando a aspereza/da estrada sisuda/Tangendo a tristeza/dessa mata/em céu cor de brasa/em noite de breu/seguindo o fogo/de pedra que bate noutra pedra/o cabo do relho a vibrar/a virar. Da terra distante/levando riqueza/subindo esperança, serra a pé/a tropa debaixo do cipó/a terra aluindo quando passo/criança sorrindo quando faço/a minha ponteira estalar/estalar. Me arranca do sono tranqüilo/e começo a pisar esse chão/a tropa de burro me arrasta o cansaço/na estrada onde amasso o meu pão. O tempo caminha/e meu peito também/caminha a esperança que vai e que vem/e eu também/e eu também/e eu também”.
 

O prêmio de melhor letra ficou com a música CHÃO DE CARROCEL de João Manoel de Carvalho:
“Passa o tempo/passa a vida/roda,roda colorida/roda, roda a alegria/lá no chão de um carrocel. Roda, roda carrocel/cavalinhos em tropel/cavaleiros nos caminhos/sem verdade nem moinhos/na estrela só os sonhos/e os sonhos cavaleiros/de lua no chão o céu/lá no chão de um carrocel/lá na praça ou lá no céu/lá nas ruas ou no sertão/que já outros cavaleiros/fizeram de guerra este chão/armaram corcéis de lança/perseguindo a esperança/de conquistar terra e céu. Roda, roda carrocel/roda certo o seu caminho/que o céu está no chão/mas um outro cavaleiro/que acorda o sol primeiro/é vaqueiro no sertão/ sem cavalo não tem lança/sem tropel é esperança/persegue o boi no horizonte/e o seu sonho no chão. Passa o tempo/passa a vida/roda, roda colorida/roda,roda a alegria/lá no chão de um carrocel”.

• Esse texto faz parte da série COMO A PARAÍBA VIVEU O ANO DE 1968
• Comentários e informações adicionais devem ser encaminhados para o email: iurleitao@hotmail.com

 

 

 

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