Março/1968 : A organização da greve

 

Continuava a comoção nacional. No sábado, dia 30 de março, os estudantes promoveram várias manifestações públicas, em todas as capitais do país, e dedicaram também o dia a organizarem a greve geral já decretada e o ato público do dia primeiro de abril, quando o golpe militar completaria seu quarto aniversário. As agitações estudantis que começavam a acontecer deixavam o governo em regime de alerta. Havia um clima de inquietação. O movimento ganhava apoio de parcelas importantes da sociedade que passavam a reconhecer os estudantes como seus representantes nas manifestações de oposição ao regime. A tragédia do Calabouço potencializou a insatisfação geral contra a ditadura.

Os estudantes cariocas, ainda influenciados pelo sentimento de consternação, manifestaram o propósito de entregar ao Presidente Costa e Silva a camisa manchada de sangue do estudante assassinado, clamando punição aos culpados.

O governo mandava um recado aos promotores dos atos públicos de protesto que eclodiam em todo o país, através do General Jayme Portella, chefe do gabinete militar: “Custe o que custar a ordem será mantida. Temos que ser duros. Não podemos deixar que eles tomem conta da situação”.

Os Diretórios Acadêmicos, o Diretório Central dos Estudantes e a União dos Estudantes do Estado da Paraíba distribuíram nota à imprensa e à população nos seguintes termos: “Os universitários da Paraíba vêm a público protestar contra o brutal trucidamento do seu colega Édson Luis Souto, assassinado quando participava de uma manifestação estudantil pela melhoria das instalações do restaurante Calabouço, na Guanabara. Em solidariedade ao movimento de protesto que já atinge todas as Unidades da Federação e por imposição da revolta da classe estudantil no Estado, os universitários paraibanos resolvem assim decretar greve geral a partir de hoje, convocando Assembléia Geral de todos os estudantes para a próxima segunda-feira, 1 de abril, às oito horas, para discutir o encaminhamento da paralisação das atividades e do engajamento na luta nacional em defesa da liberdade e da democracia”. O lançamento do manifesto se deu no comício realizado na Praça João Pessoa, em frente à Faculdade de Direito da Universidade Federal da Paraíba.

Na manhã do dia 30 várias lideranças do movimento ingressaram nas salas de aulas do Liceu conclamando os colegas a se integrarem às manifestações, no que foram impedidos pelo diretor professor Ivan Guerra. Os alunos então abandonaram as classes e foram para a avenida, em frente ao colégio, onde realizaram comício relâmpago.

Às quinze horas o Grêmio Estudantil Daura Santiago Rangel, do Liceu Paraibano, em reunião de sua diretoria, decidiu pela decretação de luto oficial por setenta e duas horas. A nota era assinada pelo secundarista Roberto Barroso de Oliveira, vice-presidente do Grêmio.

• esse texto faz parte da série COMO A PARAÍBA VIVEU OANO DE 1968
• comentários e informações adicionais devem se encaminhados para o email iurleitao@ hotmail.com
 

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