Os movimentos de contestação não ficaram restritos à participação da juventude. O ambiente cultural brasileiro passou a exercer sua influência na provocação do clima de enfrentamento á ditadura militar. Os intelectuais e artistas usaram da criatividade para fazerem da produção cultural um instrumento de conscientização política.
Sofreram forte repressão. Tudo o que era colocado para consumo popular teria necessariamente que passar pela censura federal.
Um dos primeiros segmentos culturais a se engajar no movimento foi o teatro. Em 15 de janeiro de 1968 estreava no Rio de Janeiro a peça Roda Viva, baseada na música com o mesmo título de Chico Buarque de Holanda. O espetáculo provocou polêmica e despertou a ira dos militares no poder. A montagem da peça ficou a cargo de José Celso Martinez Cunha, diretor do Teatro Oficina, e tinha no seu elenco nomes famosos como Marieta Severo (em julho substituída por Marília Pêra), Heleno Pestse e Antônio Pedro, figuras consagradas do mundo da dramaturgia nacional na época.
Os militantes do CCC – Comando de Caça aos Comunistas chegaram, com apoio dos policiais, a invadir o Teatro Ruth Escobar, para impedirem a apresentação da peça, promovendo espancamentos e destruição do cenário. Os palcos atraíam a atenção da censura e dos que apoiavam o regime de força que se instalara no país.
O teatro da Paraíba também marcou presença nos episódios que fizeram a história revolucionária de 1968. No início do ano duas peças foram montadas com o objetivo de participarem de festivais nacionais no Rio de Janeiro. Ambas tiveram dificuldades de aprovação dos seus originais pela censura, porque, de alguma forma, fugiam aos conceitos permitidos pela ditadura. Os censores viam em tudo mensagens subliminares de contestação ao governo e carimbavam como subversiva toda e qualquer produção cultural que pregasse algo de novo ou contrariasse a doutrina aplicada pelo regime.
O folclorista e teatrólogo Altimar Pimentel, escreveu a peça “A INTRIGA DO CACHORRO COM O GATO”,a ser encenada pelo Grupo de Arte Dramática do Santa Rosa, e participação no Festival de Teatro dos Estudantes no Rio de Janeiro.
O outro espetáculo teatral montado em janeiro de 1968 foi “PARAI-BÊ-A-BÁ”, de Paulo Pontes. O Teatro de Arena da Paraíba foi responsável pela apresentação da peça, que participaria em fevereiro do Festival Nacional do Teatro, no Rio de Janeiro. Um trabalho de pesquisa, cujo roteiro foi baseado em contribuições de escritores, poetas e músicos paraibanos, com a pretensão de retratar a realidade da nossa cultura e do nosso povo.
Nos próximos textos me dedicarei a oferecer maiores informações sobre cada peça, autoria, direção, tema, montagem, elenco e mensagens dessas criações artísticas.
Observaremos que o mundo intelectual paraibano se inseria no contexto nacional, através da arte, formulando questionamentos e buscando novas formas de interação com o público, convocando-o à reflexão e a tomadas de posição em relação ao “status quo” vivenciado.
• este texto faz parte da série ‘COMO A PARAÍBA VIVEU O ANO DE 1968
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