Maranhão e Ronaldo: a força do tempo

RECIFE – A revelação do ex-governador José Maranhão de que tomou a iniciativa de conversar com o ex-governador Ronaldo Cunha Lima, enfermo em São Paulo, para lhe desejar recuperação no estado de saúde é o exemplo mais cristalino de que, no frigir de ovos, em toda a vida, é esforço inconseqüente nutrir ódio entre as pessoas. Tudo em nome do Poder e da vaidade, efêmeros. Tentou fala, mas não conseguiu como queria.

Ao agir espontaneamente dessa forma não creio em armação política, jogo de cena ou coisa que o valha. É um misto de arrependimento de intriga misturado com a vontade de dizer ao contemporâneo que o mais importante é viver, se possível sem conflitos de vaidades humanas.

Os dois sabem da força deste conflito porque estão vivos para testemunhar os enfrentamentos primários entre suas famílias, lá atras, cujo confronto intenso no passado não conseguiu eliminarem- se, apesar das vontades e tentativas.

Só que a vida provou a eles que era – e é – possivel conviver com seus espaços preservados mas, cá pra nos, melhor teria sido se o afago fosse vivido entre eles enquanto o tempo oferecia mais possibilidade de permissão para gerar pactos de convivência política, sem a busca vã da supremacia absoluta porque cada um foi forte até quando pode.

Compreendo o gesto de Maranhão porque convivi e testemunhei algo semelhante em Antônio Mariz, eterno governador da Paraíba, que no tempo especial da vida percebeu que precisava superar a arenga forte que teve com Marcondes Gadelha ao longo da trajetória dos dois, embora ambos tivessem respeito enorme mutuamente, mas durante muito tempo negaram e viveram para atacar o outro.

Por isso, Mariz se fez decidido a buscar Marcondes para a superação que, no caso deles, ainda houve tempo para convivência e construção de uma nova etapa, tanto que de inimigo político o ex-governador passou a ser eleitor do atual presidente do PSC.

Em síntese, mais do que qualquer outro sentimento, penso que Maranhão tem sido sincero e pertinente em querer tentar repor a parte possível de uma vida entre dois lideres que foram próximos e distantes, tudo em nome de uma vaidade sempre provada mas que tem pouca valia em certos momentos da vida.

Se é assim, a postura de Maranhão chega em tempo. Se nao for demais, serve como exemplo para os lideres de hoje porque podem viver o mesmo drama por pura vaidade infrutífera.

ÚLTIMA

” Eu dou a minha face para bater/
Mas se quiser pode beijar…”

 

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