Por que estamos sem sintonia?

{arquivo}Pela primeira vez em toda minha vida me deparo nesta sexta-feira de tempo nublado em João Pessoa com uma cena política de Poder no Estado e na Prefeitura da Capital comandada literalmente pela geração dos protestos e das lutas pela redemocratização forjada nas Universidades e nos movimentos sindicais. Mas, talvez por saudosismo, me invade um sentimento de melancolia ao atestar que muitas ilhas se criaram entre tantos que hoje poderiam estar no mesmo arquipélago de vida coletiva.

Esta constatação, entretanto, expõe na verdade um descompasso entre o exercício do Poder por lideranças ungidas nos movimentos de Esquerda e diversos setores da mesma Esquerda vivendo como que uma falta de sintonia até mesmo na produção cultural do que representa o Projeto Folia de Rua.

Quem imaginaria 25 anos atrás que um dia Chico César e Milton Dornelas seriam os comandantes das políticas culturais da cidade e do estado, mesmo assim na cena coletiva de Poder exercido não se veriam dentro do guarda-chuva de processos coletivos outros bambas como Vital Farias, Fuba, Renata Arruda e tantos outros?

Por que isso acontece, então, se muito do que agora está estabelecido unia nas horas de grandes dificuldades e hoje não consegue estabelecer meios de uma convivência de harmonia e somatório em torno de um projeto maior de avanços sociais, inclusive na Cultura?

Teses à parte, o fato é que a vaidade radicalizada se impôs no cenário das relações abrigando equivocadamente interesses pessoais se sobrepondo a valores políticos, sem contar as decisões precipitadas e desalinhadas com a necessidade de um grande Pacto inexistente até hoje, daí o confronto mais forte internamente na própria Esquerda ou em segmentos progressistas da Paraiba.

Seja como for, a Folia se estabelece a partir de hoje do jeito que for, mesmo descompassada, mas precisando exigir de todos os atores a adoção de tolerância básica para,quem sabe um dia, muitas das crises pessoais possam ser superadas em nome da razão coletiva.

Precisa que todos ajam assim e isso não é fácil de acontecer.

Por isso, quando o Confete e Serpentina se ensaia na Praça Dom Ulrico sob o comando de Vinicius Santos homenageando Ivan Tomaz e D Lourdinha Milanez – melhor de tudo, sem interesses de disputa, nem estímulos ao boicote, fazemos nossa parte torcendo para que o projeto Folia de Rua e o Carnaval Tradição cumpram suas missões de alegrar o povo, tão desprovido de cidadania plena.

ÚLTIMA

“Ai que saudades, do carnaval dos tempos de outrora/

tinha serpentina e um cheiro de perfume que não tem agora…”

 


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