A solidão injusta na viagem de Lynaldo

Quando soube perto do Natal que o professor Lynaldo Cavalcanti havia dado entrada na UTI de hospital de Brasilia, cá com meus botões bateu uma tristeza danada, como a pré-anunciar: ele está se despedindo de nós. Uma pneumonia chegara para lhe tirar o ar da vida, que um dia lhe fez soberano no mundo do conhecimento.

Mas, a impressão dentro de mim é de que ele já estava se despedindo da vida há mais tempo. Vítima de uma degradação orgânica continuada chegando a gerar limites no exercício do cotidiano, Lynaldo pelo tamanho vasto da sabedoria sabia que estava se indo para não mais voltar.

Da última vez, por exemplo, em que esteve aqui para uma justa homenagem à sua trajetória promovida pelo Grupo WSCOM, no auditório do SEBRAE/PB, somente os amigos de cátedra, da UFPB, se fizeram presentes. Nenhuma autoridade máxima, nenhuma mesmo deu importância à celebração em vida do mais importante incentivador do conhecimento contemporâneo da Paraíba, de sorte do Brasil, nas áreas da ciência e tecnologia.

Ele desabafou conosco: “infelizmente a Paraíba não está se apercebendo que não acompanha com a mesma velocidade a imperiosa necessidade de se investir no conhecimento de forma continuada”, disse acrescentando em tom de tristeza: “aqui vale mais a intriga política, que atrasa por não deixar a Paraíba se desenvolver”.

Este sentimento de tristeza, não tenho dúvidas, de que Lynaldo levou de volta para Brasília, onde faleceu e quis deixar seus restos mortais. Deveria ter repousar em Campina Grande, terra natal e berço dos grandes inventos e iniciativas fantásticas na ciência, mas optou pela distância territorial fazendo discípulos e admiradores como eu, tristes, por este hiato entre vida e morte na trajetória do professor, como a justificar a máxima bíblica de que santo de casa não obra milagres.

Agora, quando o corpo inerte já não mais se impõe na reverberação da vida, certamente que devem brotar muitas homenagens já sem a mesma força de antes, pois para posteridade só restam mesmo as palavras soltas ao vento.

Lynaldo queria mesmo era fazer toda nossa gente entender o significado do samba famoso que diz – “se alguém quiser fazer por mim/ que faça agora…”, isso lá atrás, em vida como disse, porque agora restam apenas preces e nada mais, mas pouca gente entendeu esse recado.

Agora, a “a Inês e Lynaldo são mortos”.

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