Nova pesquisa: causas e efeito

Faltando ainda muito tempo da disputa programada para 3 de outubro no Governo do Estado, a mais nova aferição eleitoral produzida pela CONSULT para o jornal Correio da Paraiba aponta que, se as eleições fossem hoje, o governador José Maranhão teria mais de 7% acima de seu principal competidor, Ricardo Coutinho.

Para entender bem esse fenômeno conjuntural leve-se em conta que, por diversos institutos, Ricardo Coutinho tinha em fevereiro do ano passado mais de 18 pontos percentuais sobre seus adversários, inclusive Maranhão – à época senador aspirante ao governo, através da cassação do mandato do governador Cássio.

De lá para cá, foram muitas as apostas, elocubrações e até prognósticos de que Maranhão não se repetiria no Governo, algo que a pesquisa de agora diz o inverso, ou seja, a dinâmica do desempenho maranhista o faz favorito na disputa governamental.

A última pesquisa, antes desta da CONSULT, apresentava empate técnico rigoroso entre eles na casa dos 32 a 31% – percentuais que tempos depois passaram a conviver com outra dinâmica e resultados porque, conforme afere a atual abordagem, assegura ao governador virada do jogo com mais de 7% de vantagem.

Ora, se houve deslocamento pró Maranhão nos últimos meses nos quais as novidades politicas foram a derrota de Luiz Couto no PT, o anuncio de apoios do DEM e do ex-governador Cássio à pré-candidatura de Ricardo Coutinho e mais recentemente a saída do PTB do apoio ao prefeito significa dizer que esses fatores trabalharam contra o alcaide, ao que parece sem ter mais a aura de novidade com N maiúsculo na disputa de 2010.

Atente-se ainda para o fato de que a pesquisa revela ainda que foram ouvidos 2 mil eleitores e tem como margem de erro 2,1% para mais ou para menos – percentual considerado muito pequeno.

Certamente que a partir de hoje, os mais radicais ricardistas vao partir para desqualificar o resultado da pesquisa, algo inconsequente e burro porque os números reproduzem um trabalho avalizado pelo rigor da Justiça Eleitoral que, desta feita, exagerou na exigência de todos os quesitos e formulários com registros e RGs dos entrevistados para tirar do caminho a famosa manipulação de antes.

Em síntese, Ricardo experimenta muito cedo uma curva descendente na disputa fruto de uma série de erros estratégicos certamente a responsabilizar setores da mídia, manobras do governo e até interferências externas, embora a essência de sua queda esteja atrelada a outros valores.

Nada, entretanto, é mais forte do que a mudança em si processada pelo prefeito ao adotar o pragmatismo puro ignorando uma série de fatores que lhe fizeram construir a cara do novo, ao que parece transformada na desfiguração de um projeto que coisificou – se cedo demais perdendo a identidade, a coerência e a vanguarda de antes, mesmo em tese atraindo força eleitoral com os novos aliados.

A reação nos colégio eleitoral

Resultados como este devem influir muito nos três níveis do colégio eleitoral da Paraiba: entre 1/3 deles (os municípios com até 10 mil eleitores), a pesquisa passa a levar mais prefeito a aderir ao esquema de governo, ao passado que nos médios centros (outro 1/3) também sofre influência.

Já em João Pessoa e Campina Grande – outro 1/3 a parada se define por outros fatores, entre os quais de desempenho administrativo algo que, na capital Ricardo tinha como absoluto mas agora divide espaço com a ação decidida de Maranhão e até mesmo Campina, onde o governador age com mais efeitos por ter a máquina agindo em ações reais do que o prefeito.

É este cenário que os dois candidatos terão de cuidar e agir.

Um fator preponderante

Estudiosos em pesquisa apontam que a tendência do eleitorado no Brasil, independentemente de Paraiba, é de não querer mudança na realidade da qual se serve porque, este é o efeito Lula, as pessoas vivem a sensação de bem estar daí tenderem a optar pela situação.

Quem viver, verá.

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“Luiz respeita Januario/ Luiz respeita Januario…”

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