Desenrola 2.0: Programa atinge R$ 44,7 bilhões renegociados em menos de 3 meses e supera marca inicial

(Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O Desenrola 2.0 ultrapassou a marca de R$ 44,7 bilhões em dívidas e créditos renegociados em menos de três meses de operação. Segundo reportagem do jornal O Globo, a segunda fase do programa do governo federal vem registrando um ritmo de adesão e renegociação bem mais acelerado do que o observado na edição inicial.

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Lançado em maio deste ano como uma das principais apostas do governo do presidente Lula (PT) para combater o endividamento das famílias e melhorar a percepção da população sobre a economia, o montante já negociado na nova fase representa 84% dos R$ 53 bilhões movimentados durante os dez meses da edição anterior, ocorrida entre julho de 2023 e maio de 2024. A versão atual ampliou o alcance das ações, incluindo também renegociações voltadas para empresas.

Apenas no segmento destinado a pessoas físicas, o Desenrola 2.0 já soma R$ 20,9 bilhões em dívidas renegociadas. Essas pendências financeiras foram reduzidas para um saldo final de R$ 3,7 bilhões. Em termos comparativos, em menos de três meses de vigência, o volume transacionado exclusivamente para pessoas físicas na versão atual equivale a 40% das negociações totais do programa anterior nesse mesmo público.

Por sua vez, a modalidade Desenrola Empresas respondeu por R$ 23,2 bilhões do total acumulado. Por meio dessa frente, as companhias podem quitar operações de crédito ativas com a mesma instituição financeira, abrangendo tanto o Pronampe (voltado para empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões) quanto o Procred 360 (destinado a empreendimentos com faturamento anual de até R$ 360 mil). Os recursos obtidos também podem ser utilizados para quitar, total ou parcialmente, outros contratos bancários da empresa.

Uma das principais inovações do Desenrola 2.0 é a permissão para utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na quitação dos débitos. Até o momento, contudo, o uso do FGTS somou R$ 55,5 milhões, valor que equivale a apenas 0,68% do limite de R$ 8,2 bilhões anunciado pelo governo. Cerca de 97 mil trabalhadores optaram por acessar esses recursos para quitar suas dívidas por meio da iniciativa.

Cabe destacar que o balanço divulgado pelo Ministério da Fazenda não contabiliza os dados relativos às renegociações de outras frentes paralelas, como o Desenrola Fies, o Desenrola Adimplentes e o Desenrola Rural.

Recorde de inadmissibilidade e cenário econômico

O avanço do programa ocorre em um contexto de endividamento elevado no país. A inadimplência bancária atingiu o patamar recorde em maio, mês em que o novo Desenrola Brasil foi lançado, com a taxa média de atrasos superiores a 90 dias subindo para 4,7%, somando dados de pessoas físicas e jurídicas.

O quadro se mostra ainda mais crítico quando analisadas isoladamente as operações de pessoas físicas na modalidade de crédito com recursos livres, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Nesses segmentos, o índice de inadimplência alcançou 7,6%, atingindo também o maior percentual de toda a série histórica. Além disso, segundo dados do Banco Central (BC), o endividamento das famílias chegou a 49,9% em fevereiro, registrando o maior nível histórico e afetando mais de 80 milhões de brasileiros.

O economista Flávio Ataliba Barreto aponta que a situação do país é agravada pelo alto custo do crédito, com a taxa básica de juros (Selic) fixada em 14,25% ao ano, combinada com a facilidade do ambiente digital para a contratação de dívidas.

“O novo mundo digital faz com que a gente consiga aumentar nosso limite ou contratar um empréstimo apenas pelo celular. Antes era necessário ir até uma agência. Isso, somado aos padrões de consumo e ao crédito caro, como ocorre no Brasil, leva a um quadro mais preocupante de inadimplência e endividamento”, analisa Barreto.

Mudança nas regras e impacto aos consumidores

Para ampliar o acesso aos benefícios, o Desenrola 2.0 adotou critérios menos restritivos. Na primeira edição, a iniciativa era dividida em duas faixas com limitações específicas de renda e valor da dívida. No novo formato, consumidores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) estão autorizados a renegociar pendências no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia.

A economista do Insper Juliana Inhasz ressalta que o aumento da procura na nova fase reflete o conhecimento prévio da população sobre o funcionamento da ferramenta, o que reduz barreiras de entrada, embora o problema do endividamento continue exigindo medidas contínuas.

“As pessoas já conhecem o programa, o que diminui o custo de entrada, de transação e as barreiras operacionais. O programa ampliou o escopo: há mais pessoas elegíveis e mais agentes financeiros participantes. Por fim, ainda existe um estoque grande de pessoas endividadas. Apesar das melhorias, os brasileiros continuam convivendo com dívidas contraídas há muito tempo. Ou seja, você ampliou o público que pode ser beneficiado, mas esse grupo continua bastante endividado”, avalia a economista.

As renegociações do programa trazem impacto direto no orçamento das famílias. É o caso do estrategista de marketing e conteúdo Rafael Ribeiro, de 28 anos, que acumulo débito no cartão e contratou empréstimo após perder o emprego. Com o acesso às condições oferecidas pela iniciativa, ele renegociou uma dívida acumulada de R$ 4,4 mil, reduzindo o valor total para R$ 500 e quitando o débito.

As renegociações de dívidas por meio da atual edição do Desenrola Brasil permanecem abertas e estão previstas para seguir até o mês de agosto.

Crédito: Agência Brasil

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