A última vez que estive na roda de samba, famosa por reunir gente boa e canções mais parecidas com legendas de lutas, confesso que não gostei do que vi.
A impressão foi de que minha gente anda desnutrida, não só pelo envelhecimento que a vida impõe, mas porque a performance de muitos de nossos sambistas expressa decadência pura.
Tudo bem, todos se mantêm dignos, mas em torno do samba da atualidade já não há empolgação, nem mesmo atrai as novas gerações para promover o esquente permanente na premissa de manter sempre o partido alto.
Ca pra nós, até o repertório da roda de samba já não é mais o mesmo. Longe está o contexto das canções de protesto que tanto motivaram gerações de luta, agora misturada com a breguice que até curto, mas não naquela hora em que estávamos escolhendo nosso samba enredo.
Confesso que a melancolia tomou conta do meu peito, não só pela saudade imensa de tantos sambistas já no andar de cima, mas porque faltaram bandeiras a estimular novos desejos em busca de novas inspirações, que costumeiramente sempre construíam tanto envolvimento popular.
Até sonho e aposto tudo na nova velha guarda de nossa roda de samba, prevejo ate muita luta para chamar novamente a galera para o terreiro, pois só assim poderemos retomar a auto estima das lutas que transformaram muitas gerações em guerreiros da cidadania como se o samba nunca passasse, diferente da canção de Paulinho da Viola.
Tomara que nossa nova Ivone Lara nos conduza para a animação dos velhos tempos.
