A tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, proposta pelo governo dos Estados Unidos, começou a incomodar grandes empresas norte-americanas como eBay, Tesla e Coca-Cola. De acordo com as companhias, o tarifaço pode ser prejudicial a curto prazo às cadeias de produção.
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Baseada na Seção 301 – que permite a imposição de taxas sobre mercadorias de países que podem estar prejudicando o setor comercial dos EUA –, a medida foi anunciada em junho deste ano.
Coca-Cola
A empresa referência em bebidas mundialmente solicitou ao Escritório Representante Comercial dos EUA (USTR) que os insumos de laranja importados do Brasil continuem isentos da tarifa. Além disso, a Coca-Cola também pediu a adição de “exclusão equivalente ou em um regime de transição” para os insumos de limão.
Caso o pedido não seja atendido, a empresa argumenta que os custos serão elevados devido à necessidade de buscar novos fornecedores. A compra de produtores locais foi descartada por safras prejudicadas por razões climáticas e por doenças. A queda da produção pelos produtores norte-americanos também foi citada.
“Dessa forma, não se pode presumir que a produção doméstica seja capaz de substituir o fornecimento qualificado proveniente do Brasil dentro de prazos comercialmente viáveis”, pontuou a indústria.
“O Brasil tornou-se uma fonte complementar essencial diante da significativa queda da produção norte-americana de laranja […] tem ajudado a suprir essa lacuna para os fabricantes de suco de laranja nos Estados Unidos”, argumentou.
Tesla
Já a empresa de Elon Musk, embora tenha apoiado a medida e seja a favor da reindustrialização norte-americana, argumentou que ao USTR que a transição “levará tempo”.
A montadora de veículos elétricos afirmou que alguns insumos não podem ser obtidos no país na escala necessária para possibilitar preços competitivos. E o Brasil entra justamente no fornecimento de peças e componentes específicos.
“Uma medida tarifária que deixe de considerar o ritmo da diversificação das cadeias de suprimento – ou que imponha restrições mais rapidamente do que as alternativas domésticas consigam expandir sua capacidade de forma realista – corre o risco de causar impactos significativos para a indústria e os consumidores dos Estados Unidos”, disse a empresa.
eBay
O eBay defendeu ao USTR a isenção de tarifas sobre produtos de segunda mão, usados e seminovos no escopo da investigação da Seção 301. A plataforma de e-commerce argumenta que a taxação sobre bens revendidos falha em punir os fabricantes originais.
“Um bem já foi comprado, utilizado e revendido – muitas vezes por diversos proprietários ao longo de vários anos. Uma tarifa imposta no momento da revenda no mercado secundário não gera qualquer sinal econômico que alcance o fabricante original, muito menos qualquer prática brasileira de distorção da concorrência relacionada à fabricação inicial do produto”, disse o eBay.
Além disso, a companhia alertou que a tributação prejudica diretamente os revendedores que não participaram do processo de produção das mercadorias..
