Mailson, a Sudene e a superficialidade

O ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, voltou a ocupar a mídia paraibana, agora para fazer leituras conjunturais entre elas sobre o papel a SUDENE. Disse ele ao multimídia Walter Galvão: “A SUDENE não correspondeu às expectativas da região”.

Merece abordagem como conseqüência porque se trata de um economista ilustre, hoje pontuando a partir de São Paulo – o que fez ser consultor muito demandado e até colunista da revista Veja.

Para ser mais exato, a abordagem de Mailson na conversa com Galvão tratando do tema SUDENE foi superficial, sem aprofundamento temático, logo o fez generalista, ao mesmo tempo injusto com o papel do mais importante instrumento de arregimentação de políticas, recursos e investimentos – tanto que as conquistas econômico – sociais do Nordeste nos últimos é exatamente fruto desse tempo lá atrás da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste.

Disse o paraibano de Cruz do Espírito Santo: “Os incentivos fiscais e financeiros geridos pela SUDENE são importantes, mas estão distantes de constituir o elemento central do processo de desenvolvimento regional”.

Mais uma vez Mailson fala superficialmente, embora com tese procedente mas só em termos porque o desenvolvimento regional se dá em face de um conjunto de fatores.

Pelo visto, o renomado economista tem estado desatualizado da temática Nordeste porque desconhecer as políticas traçadas por Celso Furtado e postas em praticas por Juscelino Kubitischek com efeitos práticos ao longo de anos, lá atrás, é reproduzir a cultura ainda em voga no Sul e Sudeste de tratar o Nordeste de forma preconceituosa e desconforme com a verdade.

Não estivesse existido a SUDENE, nunca que estaríamos no patamar de agora com crescimento em taxas acima de 6%, mesmo com a crise financeira assolando o mundo.

O que Mailson não disse, mas ele já incorporou como novo neo-paulistano, é que os desvios da SUDENE foram produzidas por setores da classe política produzindo mega esquemas, também comuns em São Paulo ou qualquer outro estado do Sudeste e Sul (vide o noticiário na Imprensa) – como se deu recentemente em muitas Operações da PF, mas que nem Mailson nem os paulistanos se interessam em dar dimensão.

Em síntese, Mailson merece atenção pelo que representa mais como publicista dos interereses sudestinos do que por matérias de Nordeste até porque atualmente ele se mantém desinformado, não por maldade mas por prevalência das suas leituras e seus interesses.

Um exemplo que esclarece outros dados do Nordeste

Sem as bases conceituais e as políticas promovidas durante uma boa fase da SUDENE certamente que não estaríamos neste momento enfrentando uma situação bem distinta, como observou a economista Tânia Barcelar na edição do mês da b>Revista NORDESTE.

O Brasil vinha de um período de retomada do crescimento do investimento (predominantemente financiado
com recursos domésticos) e de ampliação da produção, da renda, do emprego e do consumo interno.
Ancorava-se no seu próprio mercado, especialmente no potencial que representa o consumo insatisfeito de amplas camadas da sua população, situadas na base da pirâmide social.

Os números iniciais dos primeiros meses de 2009, publicados em pesquisas de conjuntura feitas pelo IBGE, mostram que o país resiste mergulhar na crise, no que ela tem de mais perverso: o desemprego e a queda do consumo.

O Nordeste, por sua vez, surpreende os pessimistas, revelando também sua capacidade de resistência à imersão na crise. Dados da pesquisa mensal do emprego (PME) mostram que a taxa de desemprego – estimada para as seis maiores áreas metropolitanas do país – cresceu, passando de 7,6% em setembro de 2008 para 8,5% em fevereiro de 2009.

Mas, quando se olha para fevereiro de 2008, bem antes do estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, essa mesma taxa de desemprego era de 8,7%. Perdeu-se o ganho obtido até antes da crise se tornar aguda e mundial, mas o quadro não se altera significativamente quando comparado com um ano atrás. A tabela abaixo revela que a situação em 2009 não é pior que no ano anterior. O emprego do Brasil metropolitano cresceu.”

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