Logo cedo, andando de calças curtas pelas ruas do bairro da Torre, à época envoltas com lamaçal, diferentemente de agora como centro comercial pujante – comumente ouvia Santa Maria Júlia minha luz mais que mãe dizer que santo de casa não obra milagres. E filosofava mais: são muitos fatores a construir esse conceito real, que se aplica a qualquer aldeia do mundo. É preceito milenar só justificada pela inveja um dos sete pecados da humanidade, dizia.
A tese prolongada pode bem ser aplicada como uma luva na história e performance de um paraibano qualificado, medonho, pouco conhecido e demandado por aqui a atender pelo nome de Lafaiete Coutinho.
Sua rama frondosa tem raiz na impulsividade de seu pai, tabelião Eunápio Torres, também referenciada no engenho comercial de grande força do tio homônimo nome ainda hoje citado nas ruas históricas de Salvador e no seu próprio esforço, desde quando aluno de Direito na Faculdade famosa do Recife até se enfronhar pelo mundo financeiro onde construiu e consolidou sua conduta executiva de reconhecimento nacional.
No mundo econômico do Brasil, Lafaiete começou a ser notado quando ascendeu por seu desempenho particular aos postos mais altos do Banco Econômico levando a instituição, como vice-presidente nacional, a resultados organizacionais e de lucro fantásticos.
Pragmático, essencialmente critico e voraz no que deseja, Lafaiete soube no exercício de sua formação próxima do mercado financeiro acumular conhecimento, construir um network muito qualificado e internacionalizou seu olhar no mundo porque, desde quando se conceituava sobre o capitalismo a referência era Wall Street, Londres (a libra esterlina), o franco suíço e o marco alemão daí sua proximidade com a visão holística da vida.
Mas foi no Governo Collor, onde ele pontificou como executivo de alto padrão adicionando à época os valores políticos / ideológicos na função publica, não só como presidente do Banco do Brasil e mais na frente na Caixa Econômica Federal, mas como o mais ousado auxiliar do ex-presidente gerando relações difíceis com diversos setores da mídia nacional dado seu temperamento e impulsividade em não se calar diante da perseguição.
Guardadas as proporções, Lafaiete foi para Collor o que José Dirceu gerou no governo Lula de opinar, se intrometer, construir estratégias e ir para front tanto que até hoje paga o preço desse envolvimento porque na esteira do mundo econômico de São Paulo poucos em torno de Collor foram absolvidos, pois a maioria se mantém no limbo.
Da fase Collor para cá, Lafaiete passou a se envolver mais com a política e da vida paraibana, ora com investimentos apontados quando presidente do Banco do Brasil, através dos deputados federais e senadores, ora no debate intimo sobre os dramas, comédias e perspectivas para nosso Estado.
Vez em quando, como acontece neste sábado de seu aniversário, Lafaiete sempre tem estado na Paraíba circulando nas altas rodas do mundo society e intelectual trocando idéias, interferindo com comentários críticos, às vezes duros, e ultimamente partidarizando seus olhares e lutas mais próximo do que significa o governador José Maranhão, em detrimento do que já o fez quando lá atrás era da intimidade dos Cunha Lima.
Foi a partir de um incidente mal sucedido por conta de desejo não alcançado de arrendar os Diários Associados da Paraíba que assumiu posição crítica ao governo Cássio responsabilizando-o por tudo até o inexistente gerando, consequentemente, proximidade com o esquema do senador José Maranhão com quem não tem intimidade, exceto no diálogo que trava com pessoas da proximidade do governante.
Lafaiete é, em síntese, a personificação do talento e do conhecimento acumulado ainda indispensável para quem quer construir de forma critica a projeção de modelos exeqüíveis de desenvolvimento, mesmo que seu temperamento forte produza com efeito bumerangue a convivência com revezes diante da impaciência prima irmã de seu exílio voluntario na vida que leva hoje, extraordinária com sua companheira Aparecida, seus filhos exemplares, mas sem ser chamado para contribuir na nova formatação do governo do estado.
Em síntese, tem valores usináticos, mas ainda pouco disponibilizado concretamente em favor do Estado, de alguma forma incompreensível para um estado que não tem muitos bons quadros como ele o é.
Coisas da Paraíba.