A Paraiba, futuras crises e o exemplo americano

GUARABIRA – Quando cheguei à capital do Brejo nesta segunda-feira para receber uma lição de empreendedorismo de Ivanildo e seus Filhos danados sobre a globalização da GuarAves fiquei pensando comigo ainda estar em tempo de disputa eleitoral com tantas casas ainda com bandeiras vermelhas (em maior quantidade) do que amarelas (muitas já retiradas).

Este tema político me encabula muito porque muitos dizem ser esta manutenção de crise uma forma de cidade politizada. Eu, cá comigo, tenho minhas dúvidas e, ao contrário, considera falta do que fazer e mais do que isso – a triste constatação da dependência de setores mais pobres com a briga política.

Em síntese, como as oportunidades de negócios ou sobrevivência estão escassas, então cresce com isso a dependência do jogo político.

A cena que vi na guerra Guarabira não é diferente de João Pessoa nem Campina Grande. Aliás, é por conta dessa cena de muita dependência que ninguém faz outra coisa em determinados lugares senão viver de intriga, de fofoca e de atacar possíveis alvos – muitos deles quando se está produzindo formas de sobrevivência gerando inveja gratuita.

São valores assim que desnudam a incapacidade empreendedora de gente trabalhadora e decente como da GuarAves – um orgulho paraibano, mais do que guarabirense – na “contramão” de uma Cultura avessa que estimula nossas gerações ao emprego público ao invés da criatividade para sobreviver com seus próprios esforços.

Passando parte do dia visitando áreas e projetos da GuarAves me remeti à alta expectativa no outro lado do jogo vivida pelo universo da sociedade paraibana que depende exclusivamente da crise na política, sobretudo, agora com o inicio do julgamento do processo de cassação do governador Cássio Cunha Lima.

Essa crise puxa outra e muitas virão pela frente porque, paralelamente, começam a existir ruídos entre lideranças aliadas de hoje já se projetando em descontentamento com outras.

É o que existe, ainda em escala palatável mas em queda livre, nas relações de conflitos de interesses entre o governador Cássio e os senadores Efraim Morais e Cícero Lucena – agora há pouco – com descontentamentos gerados pela postura dos parlamentares em não colocarem emendas orçamentárias para o Estado, e sim para a União e municípios.

A rigor, esta é apenas uma ponta do iciberg – ou seja, de uma fumaça sob a qual há tempo a relação entre Cássio e Cícero, sobretudo, já não é mais nenhuma Brastemp, deixou de ser muito fraterna para ser protocolar.

No caso de Efraim ainda é uma cena a merecer mais estudo.

Noutro lado da parada, o senador José Maranhão trata o prefeito Ricardo Coutinho como aliado mas tudo depende, especialmente do processo do TSE porque todos falam que, numa hipótese de ascensão do senador certamente que peitaria o projeto de RC para o Governo.

No mesmo diapasão, Ricardo e Veneziano fingem que têm relacionamento próximo – o que é uma inverdade porque os dois sabem o óbvio: mais na frente, um dia qualquer, vão se enfrentar em nome do mesmo desejo de governar a Paraiba.

Se é assim, a pobre Paraiba se estende na história abrigando a briga feia, contra-producente da Bancada Federal e das principais lideranças políticas jogando contra os destinos do próprio Estado, enquanto desaguadouro de políticas políticas porque o interesse pessoal e localizado, de grupos, é maior do que a compreensão de ação comum em favor de nossa aldeia.

Nem parece que, na TV e na Internet, que eles vêem o exemplo fantástico de Obama e MacCain – antes adversários e hoje sentados à mesma mesa discutindo com elegância e civilidade formas de superação da crise americana.

Vai demorar, ao que parece, ver a Paraiba atestando algo parecido porque sempre as lideranças faltam no dia da lição sobre democracia de forma sincera e em nome da coletividade.

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de PrivacidadeTermos de Uso