Embora poucos saibam detalhes de como o processo está sendo montado, há em curso um macro projeto de gestão pública a ser implementado a partir de primeiro de janeiro capaz de gerar o que se configura choque de gestão de efeitos nunca vistos na conduta pública da máquina administrativa. Cássio, em síntese, está decidido a corrigir distorções e reduzir ao máximo o desperdício oriundo da má gestão.
Só que essa tarefa produzida no silêncio dos dias pela mesma empresa encarregada desse processo no Governo Aécio Neves certamente que produzirá reações, inclusive internamente (no grupo Cunha Lima), na linha da inconformação, mesmo que seja para colocar o trem na linha.
Leve-se em conta, como premissa, o caso da MP do Nepotismo agora transformada em lei pelo Legislativo impedindo muita gente do núcleo político de aspirar ascender a cargos elevados, até mesmo pessoas da própria família produzindo o que se chama cortar na própria carne.
A Coluna, por exemplo, testemunha reações descontentes entre figuras carimbadas próximas a Cássio exatamente por conta dessa medida. E, olhem, que o Pacote de Janeiro não se restringe a isso, não.
Vem redução de cargos e gratificações, até porque há um contencioso a mais na ordem de R$ 150 milhões, para pagamento em 2007 e isso não será feito apenas como intenção ou política de boa vizinhança.
Este, na verdade, é apenas um dos aspectos da ação do Governo Cássio II porque a maior das premissas, enquanto objetivo mesmo, é reduzir as desigualdades sociais produzindo geração de mais emprego e renda, sem a qual nada se efetiva apenas dependendo do azeitamento da máquina.
Nesta quarta-feira, enquanto condição macro, nova pesquisa do IBGE foi divulgada mostrando aumento da renda e diminuição da distância entre ricos e pobres na Paraíba. Segundo o Instituto, a diferença, que era 20,2 vezes em 2001, encolheu para 17,9 em 2005 com base na comparação feita sobre as rendas dos 10% mais ricos em relação aos 40% mais pobres da população no Estado.
Traduzamos os dados: em números reais, isto significa que enquanto os 40% mais pobres tiveram rendimentos médios mensais de R$ 143,84 ano passado, os 10% mais ricos apresentaram renda média mensal de R$ 2.269,15. Além do mais o rendimento médio mensal de todos os trabalhos das pessoas ocupadas também cresceu: pulou dos R$ 477,90 contabilizados em 2004 para R$ 557,80 em 2005.
Aliás, há um outro elemento especial na pesquisa atestando crescimento das taxas de ocupação na Paraíba: o contingente, que era de 1,3 milhão de pessoas em 2001 subiu para 1,6 milhão ano passado.
Trocando em miúdos, os novos tempos na Paraíba na seara público do Governo estadual prometem fatos com natureza forte, somente mensurada para valer a partir de janeiro, mas que vai sangrar, vai.