Maranhão acerta o passo

SALVADOR – Enfim, quando tudo parecia desabar sob a cabeça pós debate, eis que o senador José Maranhão, candidato da Oposição ao Governo, conseguiu aprumar discurso e postura numa só convergência de interesse: o foco da campanha na busca de vitória com abordagem à altura do que tanto esperou o eleitorado oposicionista.

Pela primeira vez em toda a campanha, o senador foi tudo o que não conseguiu ser no decorrer dos meses de disputa: objetivo, firme, solidário, futurista, companheiro e, o que lhe faltou tanto, mostrou estar preparado para dirigir o governo.

Durante a campanha, com ou sem influência dos ideólogos, Maranhão focou a essência numa abordagem de fim de mundo, do tipo, a Paraíba vive um caos, quando na prática não é isso o que se vê, absolutamente. Nesse particular, perdeu uma chance preciosa de ser mais propositivo do que saudosista.

Na campanha fez mais: jogou seu companheiro de disputa ao Senado (Ney Suassuna) na sarjeta, trabalhou e conspirou contra ele o tempo inteiro, diferentemente do que fez, ontem, como não procedeu no debate, puxando para si a liderança do processo, mas abrigando e considerando a todos – e não só seu próprio umbigo.

No comício de encerramento, em Tambaú, o candidato do PMDB fez a melhor de todas as apresentações/ lições ao longo da campanha, um dia depois do seu péssimo desempenho no debate da TV Cabo Branco. Tivesse agido como ontem no debate, certamente que o resultado teria sido bem melhor, muito além do esperado – terminado em clima frustrante.

Jogou duro sem ser falso, interpretou a campanha em pouco tempo, diferentemente de quando o tempo lhe favorecia, mas não soube assim fazê-lo e – vejam só – até pareceu cativar a ala radical da esquerda impaciente com o modo prolixo do senador. Ontem, não, foi sucinto e antenado com a aspiração da militância e populares.

Se tudo isso é verdade – e ninguém contesta – Maranhão soube, enfim, disputar bem distante, sem o olho no olho, o debate com Cássio, mesmo o governador ausente, mostrando conhecer a conjuntura e ter proposta para o futuro do Estado.

Só que, como não tinha TV ao vivo, nem vai ter mais condições de propagar no tamanho preciso, ele não terá mais o mesmo publico dimensionado como teria acontecido do debate.

O fato é que a dor ensinou o senador a recuperar-se – mesmo que possa ter sido bem aquém do tempo preciso – agora não se sabendo exatamente, como se admite, ser tarde para evitar a perda de indecisos.

Agora é aguardar – trabalhar duro e esperar o resultado no domingo.

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