Aos 50 anos, a UFPB precisa ousar

O Cine Bangüê, do Espaço Cultural, se fez magnífico, ontem, para abrigar a abertura das comemorações de Cinqüentenário da UFPB – seguramente a mais importante instituição de ensino do Estado mesmo quando já abrigou a UFCG, antes do desdobramento, portanto, é sinônimo de excelência na construção da sociedade paraibana nas últimas décadas.

Chegar aos 50 anos é manter ininterrupto um processo de formação intelectual densa movendo a inquietude das gerações na busca de influir dentro e fora da sociedade local com aprimoramentos indispensáveis de sustentação da própria sociedade, como a querer resolver as desigualdades sociais tão maléficas.

Se é consenso admitir e difundir aos quatro cantos a essência fundamental da UFPB, nem por isso tornemos pequeno o trato da questão, se não for inserido o debate e questionamentos sobre tantos processos e significado da instituição.

A começar pelo momento de espetáculo em si do festejo marcando as solenidades do Cinquentenário. Do baixo canto em que me encontro diante da soberania intelectual da UFPB, nem por isso me deixo conformar com a pequenez no trato midiático e de provocação que o Cinqüentenário se expõe na sociedade.

Ora, por tudo e tanto, tal data mereceria a detonação de um mega evento ( grande mesmo), tal qual é a instituição, com natureza popular intensa, isto é, a solenidade bem poderia ser marcada em ambiente aberto, de participação popular e de representação máxima do País com direito à presença do Presidente Lula, do Ministro da Educação, sem esquecer um grande espetáculo ao lado do que a Sinfônica por si só já se enseja especial.

Em síntese, a impressão que me abate é de que a UFPB é grande, mas usa o marketing do silêncio ou da pouca ousadia, daí estar sempre promovendo para dentro e sem adesão da sociedade os muitos projetos que dizem exatamente à própria sociedade paraibana.

Seria, como data vênia e respeito macro, simbolizar a questão na teoria chula de que a UFPB adota o marketing da Pata ( animal mesmo), que produz ovos grandes mas ninguém os consome nem os conhece, diferentemente da galinha que expõe a tática do cacareja intenso fazendo todos identificarem a existência do ovo, geralmente pequeno, mas grande no barulho.

Guardadas as proporções, a Universidade Federal da Paraíba com seus cursos de Marketing e Comunicação precisa ousar muito mais e fazer do Cinquentário uma forma de aproximação intensa com a sociedade, não só no ar condicionado do Bangüê, mas nas praias do nosso litoral, dos bairros-cidades como Mangabeira, Centro Histórico (Patrimônio Mundial) de João Pessoa alargando por todo o Estado – sua primeira e maior ambição de reproduzir conhecimento.

O Reitor Rômulo Polari, assim como a regente Yara Matos, estão desafiados a partir de agora a produzir mais do que simbólica comemoração, intensificar formas de tirar a UFPB do casulo e leva-la para onde o povo está. Sapiência eles têm, portanto, por que não usa-la coladinha com o coração e mentes populares.
Só transforma mesmo, se for assim.

Ainda voltaremos ao assunto “UFPB – 50 anos”.

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