Tarifaço dos EUA podem afetar mais de 4 mil produtos brasileiros; entenda

Integrantes do governo brasileiro admitem, sob reserva, que é improvável reverter totalmente o tarifaço dos EUA.
(Foto: Tecer Terminals)

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que cerca de 4,1 mil itens exportados pelo Brasil podem ser atingidos por uma nova tarifa de 25% avaliada pelos Estados Unidos. A medida ameaça travar um mercado de US$ 14,9 bilhões e mobiliza diplomatas e negociadores dos dois governos na tentativa de evitar o início das restrições comerciais.

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Entre os produtos que podem ser afetados pelo eventual tarifaço anunciado pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão ferro-gusa não ligado, açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio, além de milhares de outros itens exportados ao mercado americano.

A CNI avalia que a proposta de sobretaxação não encontra respaldo jurídico nem econômico e defende a continuidade das negociações diplomáticas. Em nota, o presidente da entidade, Ricardo Alban, criticou a medida e reforçou a importância do diálogo entre os dois países.

“A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob o aspecto jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países”, afirmou.

Brasil aposta em negociação direta com os Estados Unidos

Enquanto as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) avançam, o governo brasileiro mantém a avaliação de que esse processo tem caráter consultivo e não representa o principal espaço para uma negociação efetiva.

Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, a embaixada do Brasil em Washington participará das audiências apenas na condição de observadora, acompanhando os argumentos apresentados durante o processo.

A estratégia brasileira permanece concentrada nas conversas técnicas e de alto nível realizadas nas últimas semanas entre representantes dos dois governos. Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante do escritório comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Após o encontro, o ministro informou que novas reuniões deverão ocorrer nos próximos dias.

Governo aguarda resposta dos EUA

Durante essas negociações, o Brasil apresentou uma proposta de encaminhamento para responder aos seis pontos levantados pelo governo americano na investigação comercial. Até o momento, porém, não houve uma resposta formal por parte de Washington.

O prazo considerado decisivo pelas autoridades brasileiras é 15 de julho, data limite para que um acordo seja alcançado antes da eventual entrada em vigor das novas tarifas.

Nas negociações, o governo brasileiro tem buscado demonstrar dados sobre a relação comercial entre os dois países e apresentar informações relacionadas, entre outros temas, ao combate ao desmatamento, como forma de responder às preocupações levantadas pelos Estados Unidos.

Avaliação interna é de que recomendação tem viés político

Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty avaliam que a recomendação do USTR para a aplicação das tarifas possui caráter político e não leva em consideração os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil ao longo do último ano.

De acordo com essa avaliação, documentos que deram início à investigação comercial, em julho de 2025, e a recomendação pela adoção das tarifas, publicada em junho de 2026, apresentam conteúdo praticamente idêntico, o que reforçaria a percepção de que as justificativas técnicas tiveram pouca influência sobre a decisão.

Diante desse cenário, integrantes do governo, sob reserva, afirmam não acreditar em uma reversão completa do tarifaço, mas consideram possível uma redução das tarifas propostas ou a criação de exceções para determinados produtos brasileiros durante a conclusão das negociações.

Crédito: Brasil 247 

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