Os números que a Coluna teve acesso nesta quinta-feira, depois de entrevista do superintendente do Sebrae/PB, no programa Abra o Jogo, na 100.6 FM, das 15 às 19 horas, são muito preocupantes: 47% dos empregos na Paraíba são formados por empregos públicos, nas três esferas de governo.
Levemos em conta outros números comparativos: no Ceará o patamar é de 31% e Pernambuco, vizinho ao lado, o percentual chega a 28%.
Antes de exame da questão, adicionamos outros dados aleatórios da estrutura turística de Natal: já são 30 mil leitos contra 5 mil em João Pessoa, segundo ainda o Sebrae/PB.
Não precisa ser nenhum expert em economia ou finanças para entender que a realidade paraibana nos remete a uma involução alarmante porque vida econômica dependente exclusivamente do serviço público significa setor produtivo fraco, portanto, economia fraca também.
Nem vou aqui evocar teses conhecidas, até mesmo de gente famosa como Celso Furtado, mas está na cara que o processo econômico exposto pelos números de Batinga está diretamente vinculado aos procedimentos continuados das elites, especialmente a política, sem gerar novas vocações nem alternativas, depois que ruíram o algodão, o sisal e a agricultura.
Diferentemente da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte só para citar os estados que fazem de nós um sanduíche geográfico souberam estabelecer novas vocações/opções de alavancamento da economia com muita pressão e unidade política.
Reaquecimento da produção sucro-alcooleira, petróleo, estaleiros, infraestrutura aeroportuária de grande porto, pólo pesqueiro, de confecção, indústrias, comércio aquecido, etc., fazem dos vizinhos fazendo do PIB em fator de desenvolvimento muito acima da média nossa.
Se tudo isso é verdadeiro, indaga-se o que está havendo para chegarmos a esse patamar invertido? Até onde o ódio e a intriga política incessante contribui para não sairmos da inanição, se comparados com as referências estaduais de agora?
Sei não, mas as gerações de Rafael (neto bem-vindo) já ensaiam querer nova realidade porque do contrário é voltar a 1930, do século passado, de dualismo que ainda hoje perdura.
A Paraíba merece muito mais.

