Desde o anúncio formal, ontem, pelo governador Cássio Cunha Lima de que promovera a nomeação da procuradora Janete Ismael para a Procuradoria Geral de Justiça, que não param os comentários das mais diferentes formas.
Há de ser dito, antes de qualquer coisa, que a procuradora tem méritos e a nomeação transcorre dentro da legalidade auferida ao Governador do Estado, portanto, do ponto-de-vista normativo nada atrapalha o trâmite e novidade no Ministério Publico.
Só que, abstraindo os valores, o fato novo, na verdade, está na não nomeação do mais votado em recente escrutínio livre e democrático, do qual emergiu como preferido da categoria, o promotor Fred Coutinho.
Ora, se até o processo último ungindo ao comando do Ministério Público, a digna procuradora Socorro Diniz, a conduta governamental induzia em favor do mais votado, portanto, a não manutenção dessa práxis gerou clima desconforme no meio da categoria.
Não há quem prove, muito menos quem assevere assumir publicamente, mas nos bastidores muitos ou quase todos traduzem o encaminhamento do governador como reprovação ao processo interno construído por Fred Coutinho, pelo também bem votado Alexandre César presidente da Associação do Ministério Público da Paraíba condutores que são de um movimento forte para revigorar a atuação do MPE. Aliás, dele também participa a nomeada Janete Ismael.
No meio, embora ressalvando a conduta ilibada da atual procuradora Socorro Diniz, dizia-se na campanha de viva voz que o Ministério Público precisa sair das amarras em que se encontra não promovendo ações de fiscalização em setores do Governo estadual.
Veio daí, desse emudecimento o motor da campanha que deu à Oposição a condição de eleger os três nomes em uma única chapa.
Mas, agora, é seguir novo estágio, amargar a dor de quem se viu tolhido convivendo com a alegria e alta responsabilidade de quem ascende ao comando da Casa.
Nos dois casos, o Ministério Público haverá de reproduzir o desejo interno do segmento e, mais ainda sobretudo na defesa dos valores que tanto a sociedade cobra.
Do contrário, é fingir, fazer de conta que vamos crescer nessa instância tão indispensável, tal qual os olhos da águia endormida, dia e noite.