O PMDB da Paraíba resolveu assumir posição contrária e aberta aos entendimentos políticos do presidente Lula com o governador Cássio Cunha Lima fechando questão em não admitir, sob hipótese alguma, dois palanques do candidato à reeleição na Presidência no Estado da Paraíba.
A posição é única: ou Lula fica com o PMDB ou com Cássio. Ontem, em entrevista no programa Abra o Jogo, na 100.5 FM, o senador Ney Suassuna foi duro: não existe espaço para Lula estar simultaneamente no palanque do governador e do senador Maranhão ao mesmo tempo.
Já era esperada essa radicalidade do PMDB, enciumado politicamente com o namoro antigo entre Lula e Cássio dando deferências ao governador paraibano em tamanho e condições que, comumente, fazem Maranhão e Ney ficarem roxos de raiva.
A tese do senador é de que hoje, distante da disputa, possa até haver vontade de um ou outro em manter convivência mínima, mas no decorrer do processo aproximando-se do período de disputa eleitoral, a radicalização não permitirá que isso se mantenha em face do embate duro e inegociável.
Quem conhece, portanto, acompanha a atividade política normalmente sabe que as chances de relacionamento político mínimo entre os dois grupos majoritários do PSDB e PMDB ou vice-versa são quase nulas porque o antagonismo e o ódio mútuo não permitem que haja espaço para convivência mínima.
Numa leitura pelo ângulo do pragmatismo, o cenário atual de negociações da forma em que está empurra o PMDB paraibano para um esfriamento, tanto que Ney repete a entrega dos cargos ao Governo Federal, gerando afastamento gradativo de Maranhão da base aliada de Lula levando com isso Cássio a ficar mais solto como opção do Planalto na Paraíba.
O momento é de exame, mas parece ter chegado o momento de abertura do túnel do tempo, que ainda vai demorar um pouco na definição, só que da forma que vai não será utopia imaginar o PMDB na Oposição a Lula.

