A análise fria do affair registrado em pleno Dia de Tiradentes, em Sousa, envolvendo o prefeito Salomão Gadelha e o diretor do Hospital Regional, médico Mauro Abrantes (Marizinho) com direito a soco, deixa claro que vivemos o limite de uma intolerância perigosa e nociva ao conjunto da sociedade.
Não vou entrar no fato específico da agressão porque essa por si só já conduz consigo tamanha rejeição, que censurar tal procedimento é chover no molhado.
Mas, deixando a superficialidade, mergulhemos no processo mostrando que Salomão exorbitou ao confrontar-se na marra, na força, querendo impor uma lei de intervenção pura e simples, quando se sabe que há questionamento plausível diante da constitucionalidade vigente das regras.
Não é assim: querer e poder, mesmo com o encaminhamento gradativo da municipalização dos serviços. Guardadas as proporções, o caso do Hospital Regional é semelhante ao da municipalização da Cagepa, tempos atrás, com repetidas sentenças em instâncias federais impedindo tal encaminhamento. Ele tem direito, e assim o fará, de lutar bravamente pelas conquistas de Sousa, mas não será pela força.
O fato é que Salomão resolveu fazer de Sousa uma base importante de lançamento de todos os questionamentos possíveis ao Governo do Estado e de pavimentação politica em favor do principal adversário do governador Cássio Cunha Lima, em face de crises continuadas de relacionamento também pela existência de prestigio do chefe do executivo ao deputado federal Inaldo Leitão antigo adversário da família.
Mas, ainda voltando ao incidente policial desta sexta-feira, há um contencioso, do ponto-de-vista pessoal, que precisa de referência. Salomão fala que reagiu ao ver sua esposa, secretária Aline Gadelha, ser agredida o que, como principio antropológico de uma sociedade machista incide em acatamento da reação mas não é isso o que diz Marizinho, ex-prefeito, por sua índole pacata.
Agora, mesmo admitindo essa coisa de macho sertanejo, também não se configurava como fato de alta gravidade a merecer uma operação de guerra com direito a cerco à residência do prefeito porque, como se resolveu ao final, a intimação poderia chegar a outro estágio de cumprimento para que ele viesse a responder às acusações de agressão.
Por isso, a intermediação do presidente do Tribunal de Justiça, da OAB Paraíba ( José Mário Porto) junto ao Secretário da Segurança Pública, Harrison Targino, serviu de forma exemplar de trato das crises quando a irracionalidade e emoção tomam conta das relações humanas.
Se é assim, a palavra do juiz José Batista de Andrade sintetiza bem o caso, quando admite como pano de fundoa crise política entre as lideranças locais e estaduais.
É um retrato 3 X 4 do endurecimento da sucessão para Governo a cada momento que passa.
Feriado de trabalho
Quem se imaginava fazendo da quinta-feira um prolongamento do repouso ou lazer na esfera de Governo da Segurança e Comunicação viveu um tempo de turbulência intensa.
O caso de Sousa mobilizou diversas figuras para evitar uma crise com maior desgaste pelos perigos que rodeavam a possibilidade de invasão da casa de Salomão.
O bom senso conduzido por Harrison se fez notar.
Luta jurídica
Nos bastidores, em Sousa e João Pessoa, o feriado provocou a ação de advogados, especialmente ligados ao prefeito de Sousa para construir habeas corpus produzindo o impedimento da prisão.
De sua residência, entretanto, Salomão produziu a trincheira de resistência a uma possibilidade de prisão resolvida na base da negociação.
Nesse particular, da resistência, o prefeito foi guerreiro.
Conseqüências
O secretário de Saúde do Estado, Reginaldo Tavares, volta novamente nestas sexta-feira a Sousa para ratificar que o Governo vai investir mais no Hospital Regional e não permitirá a intervenção anunciada pela prefeitura.
Reginaldo disse, ontem, que o Ministério da Saúde está ciente do caso de Sousa e vai se pronunciar nas próximas horas.
Noutro ponto, a prefeitura vai insistir na intervenção.
Nada de depoimento
Salomão acabou não promovendo o depoimento que a delegacia de Sousa estava esperando para acontecer na noite desta quita-feira.
O prefeito resolveu se apresentar nesta sexta-feira no Tribunal de Justiça.
Umas & Outras
…O ex-presidente da Câmara Municipal, Fernando Milanez, anda sendo consultando por muita gente.
…O empresário Buega Gadelha, presidente da Fiep, mostrou um atento defensor das causas que toquem na família. Ontem, ele ocupou espaços na mídia defendendo Salomão.
…Patos reúne hoje prefeitos para construírem Planos de Governo comparado. Quem se habilitar vai obter ensinamentos indispensáveis.
…Herbert Palitot deve não voltar ao cargo.
Última
Menino/ segure o fole/ num deixe o fole parar…