A consagração do nome do deputado Manoel Júnior, ontem, como pré-candidato definido pelo PMDB para a sucessão de João Pessoa e a eleição do ex-deputado Gervásio Maia na presidência do partido têm vários aspectos ao redor a se considerar, mas nenhum deles é maior do que a constatação da condição soberana do senador José Maranhão no partido.
A começar pela composição da Executiva do Diretório de João Pessoa, onde disparadamente o senador tem o comando de cabo a rabo. Nos demais cargos também. Basta ver que dos 45 outros integrantes, 19 estão com Ney Suassuna e Haroldo Lucena, pois os demais sofrem influência direta de Maranhão.
O novo contexto reproduz sem tirar nem por a projeção da Coluna feita há alguns dias atrás, motivo até de discursos ásperos de discordância em vão, porque a verdade de hoje ratifica que as fontes do colunista tinham as informações corretas.
Há que ser dito ainda que a instituição dessa nova ordem do Diretório da Capital foi consolidada, ontem, com anúncio de condição consensual, mesmo com mudanças havidas do sábado dia da reunião conclusiva na residência do senador até o domingo.
É que, em tese, havia o indicativo de que o ex-deputado Carlos Mangueira e a advogada Sany Japiassú comporiam a Executiva, o que acabou não acontecendo diante da ascensão de outros nomes, como do executivo Rui Leitão na 1ª vice-presidência.
Trocando em miúdos, o novo ordenamento ratifica o comando absoluto de Maranhão no PMDB criando uma condição restrita, enquanto influência, do senador Ney no partido e estabelece com os novos rumos e táticas a certeza de que em qualquer circunstância futura na disputa de 2004, o ex-governador terá domínio total.
A dados da contemporaneidade, diante dos esforços concentrados, o PMDB vai jogar todas as suas fichas na perspectiva de viabilizar eleitoralmente a candidatura de Manoel Júnior, político da nova geração com traços de liderança emergente e conduta proativas, mesmo sem a densidade que buscará construir de agora em diante com a vinculação específica no debate sobre temas e problemas da Capital.
Ontem, nas entrevistas, Maranhão repetiu que o PMDB não tem compromissos com o PT nem outro partido leia-se PSB com Ricardo Coutinho no primeiro turno, portanto, projeta questões de aliança só no segundo turno.
Isso é verdadeiro, tanto quanto as novas cartas na manga que Maranhão passa a contar deste tempo presente em diante porque se, na pesquisa de janeiro, Manoel Júnior não demonstrar condições de viabilidade eleitoral ainda haverá tempo para o senador manobrar o PMDB na direção de uma composição já no primeiro turno.
Por enquanto, a nova realidade do PMDB afeta externamente mais o PT (leia-se a candidatura de Avenzoar Arruda ), só que tudo, como foi dito, ainda está só por começar. O PMDB demonstra estar atento e com cacife para participar do jogo com fichas de grande partido.
Quem é quem
Para entender direito a análise posta acima é só levantar em conta a composição da Executiva do Diretório Municipal do PMDB, agora assim constituído: Presidente Gervásio Maia; 1º vice Rui Leitão; 2º vice-presidente Roberto Cavalcanti; Cristiano Machado Secretário Geral; Onivaldo Ribeiro secretário adjunto; Erasmo Lucena – tesoureiro; Esmeralda Lucena 1ª vogal; Venilton Holanda 2º vogal.
Como suplentes constam ainda Natércia Suassuna, Paulo Paiva, Élson Carvalho Filho e Inaldo César.
É deste grupo que dependerá o encaminhamento do processo de 2004 na Capital.
Reação do PT
O presidente do PT estadual, Adalberto Fulgêncio, tem opinião firmada sobre os movimentos dados internamente pelo PMDB, agora com candidatura própria:
– Cada partido age da forma que lhe convier, portanto, não tenho nada a comentar das decisões do PMDB, mas a declaração de que não há compromisso com o PT no primeiro turno produzirá reação à altura disse.
E completou: `A candidatura de Avenzoar é pra valer e independente do PMDB´.
PT com PSDB?
As novidades postas sobre o tabuleiro político já provocam reações também no PSDB, mais precisamente no grupo Cunha Lima. Ontem, por telefone, uma fonte `Pule de 10´ dizia que `já não via como impossível entendimento político com o PT para tratar da sucessão de João Pessoa´.
Para a fonte, mais dia menos dia `haverá encontro ou movimento no sentido de abrir esse debate´.
Sucessão na UFPb
Embora o ano certo do debate e eleição para escolha de reitor da Universidade Federal da Paraíba seja 2004, já agora há nomes com posturas de candidatos pra valer.
Já estão em campo tentando se viabilizarem os professores Rômulo Polari, Maria José, Luiz Renato e Orlando Cavalcanti.
Além do aspecto da densidade eleitoral, espera-se para o início do próximo ano, as definições das diretorias da Aduf, DCE e Sintesp, sem esquecer a condição de apoio do atual Reitor Jader Nunes.
Umas & Outras
… Fazia muito tempo que não ouvia um trabalho tão contemporâneo esteticamente além de vanguardista, portanto sem condição comercial, como o CD `Jaguaribe Carne Vem ao Vento´.
… Não é obra para se ouvir e se encantar na primeira audição. Exige degustação, como se fora bom vinho, ouvindo faixa a faixa, com letras e arranjos típicos das Semanas Modernas.
… No CD, Pedro Osmar e Paulo Ró esbanjam leituras/letras contemporâneas do olhar cronista, ideológico, e esteticamente pós-moderno mesclando violas e efeitos das máquinas sem perder a originalidade.
… Se tudo isso não fosse muito ainda `esnobam´ a cumplicidade e participação do CD da nata da MPB, tipo Vital Farias, Chico César, Lenine, Zeca Baleiro, Totonho, Elba Ramalho, João Linhares e tantas outras feras.
… No silêncio do domingo, mesmo distante, compartilhei da dor da família e dos amigos de Luciano Wanderley, morto, ontem, vítima de infarto. Com ele se vão conversas e idéias iluminadas, que seus filhos e netos precisam sequenciar.
Ultima
`A Nação do silêncio/ leva a vida em dançar…´

