Novos desdobramentos de inquéritos conduzidos pela Polícia Federal (PF) trouxeram a público uma série de diálogos e mensagens que detalham os bastidores da relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e a equipe encarregada de gerenciar os repasses financeiros destinados ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
De acordo com o material reunido pelos investigadores — cujo sigilo foi parcialmente retirado —, Vorcaro tratava os compromissos financeiros com a banca como prioridade absoluta dentro da estrutura do banco. As ordens incluíam monitoramento diário para evitar qualquer tipo de falha nos repasses.
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“O careca não pode atrasar” e a cobrança por prioridade
Os registros obtidos pela PF remontam a março de 2024. Naquele período, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, apontado pelos investigadores como um dos articuladores da aproximação institucional entre o banqueiro e o magistrado, cobrou agilidade em uma das tratativas e enviou mensagem afirmando que “o careca não pode atrasar”.
Imediatamente após o contato, Vorcaro cobrou de forma incisiva os responsáveis pelo financeiro do Banco Master, classificando a falta de repasses como uma situação “surreal” e alertando que o atraso poderia gerar problemas graves para a instituição. Em outras conversas com funcionárias da cúpula do banco, o ex-banqueiro reforçou o comando:
“Por favor, não deixe atrasar um dia, coloca no seu controle. É o pagamento mais importante que temos”, escreveu, autorizando inclusive que as transferências fossem efetivadas de maneira informal se necessário (“sem nota, do jeito que for”).
Restrição de acesso a documentos e debate sobre modalidade de pagamento
A preocupação com o rastro documental e a exposição dos vínculos também marcou a troca de mensagens analisada pela PF. Em abril de 2025, Vorcaro determinou a um funcionário que o contrato físico firmado com o escritório de advocacia permanecesse sob rigoroso sigilo e acesso restrito nas dependências do banco, ordenando que “ninguém tenha acesso” ao arquivo.
Meses mais tarde, em outubro do mesmo ano, a escolha da ferramenta de transferência financeira voltou a ser alvo de escrutínio interno. Ao ser informado de que a fatura mais recente havia sido quitada por meio de Pix, o ex-banqueiro reprovou a escolha e indicou preferência pelo uso de ordens do tipo TED, utilizadas nas etapas anteriores.
Em paralelo, discussões envolvendo ativos de alto valor — como cotas de aeronaves — levantaram debates internos sobre a estrutura jurídica e o risco reputacional associado à titularidade dos bens.

