A possível integração do Pix com o sistema europeu de pagamentos instantâneos poderá facilitar transações financeiras internacionais e contribuir para o crescimento do comércio entre países. Um estudo publicado pelo Banco Central Europeu (BCE) aponta que nações que conectam suas plataformas de pagamentos registram, em média, um aumento de 4% no comércio bilateral.
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A pesquisa, intitulada Conectando sistemas de pagamento, interligando economias, foi elaborada pelos economistas Massimo Minesse, Laura Lebastard e Olga Triay Bagur. O trabalho destaca que a conexão entre sistemas nacionais de transferências instantâneas pode reduzir custos, diminuir a burocracia bancária e tornar mais rápidas as operações comerciais entre diferentes países.
As negociações para conectar o Pix ao Tips (Serviço Target de Liquidação de Pagamentos Instantâneos), infraestrutura administrada pelo BCE, envolvem o Banco Central do Brasil. A iniciativa teve o início de sua avaliação de viabilidade aprovado pelo Conselho de Governo da autoridade monetária europeia no fim de setembro.
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Como funcionaria a integração
A proposta prevê a comunicação entre as plataformas de pagamentos do Brasil e da Europa, permitindo que transferências internacionais sejam realizadas com menos intermediários financeiros. Atualmente, muitas operações dependem de uma cadeia de bancos correspondentes, o que pode elevar tarifas e aumentar o tempo necessário para a conclusão dos pagamentos.
Segundo o estudo europeu, a estimativa de crescimento de 4% no comércio bilateral considera os benefícios observados em países que já possuem sistemas interligados. O percentual, portanto, não representa uma previsão específica de expansão das relações comerciais entre Brasil e Europa.
A pesquisa também destaca que os ganhos tendem a ser maiores em regiões onde os pagamentos internacionais apresentam custos elevados e pouca eficiência operacional.
Projeto avança na avaliação técnica
A proposta de conexão entre o Pix e o Tips avançou da etapa de pré-investigação para a fase de investigação. Na avaliação inicial, realizada em setembro, foram examinados aspectos técnicos, jurídicos, operacionais e comerciais. De acordo com o documento do BCE, não foram identificados obstáculos considerados críticos para a continuidade dos estudos.
A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo de integração das infraestruturas de pagamentos internacionais. Entre os projetos considerados estão o Nexus e sistemas mantidos por países como Índia e Suíça.
Disputa internacional e próximos passos
A discussão ocorre em meio a debates geopolíticos sobre o controle das infraestruturas financeiras internacionais. O Pix também entrou no centro de questionamentos do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o funcionamento e a concorrência entre sistemas de pagamentos.
No Brasil, nove áreas do Banco Central foram mobilizadas para discutir questões de governança e avaliar a compatibilidade entre as duas plataformas, conforme documento interno obtido pela Folha.
Apesar do avanço das tratativas, ainda não existe uma data definitiva para a implementação da integração. A conclusão da investigação dependerá de novas avaliações e de uma decisão do Conselho de Governo do BCE.
Caso o cronograma técnico seja mantido, a expectativa é que um projeto-piloto entre os sistemas possa ser lançado em junho de 2028. A previsão, no entanto, ainda está sujeita a mudanças relacionadas às exigências regulatórias, às definições tecnológicas e às negociações entre as instituições envolvidas.
