A cidade de João Pessoa, capital paraibana, tem atraído gestantes russas que deixam seu país de origem em busca de atendimento humanizado durante a gravidez e o parto. O movimento, que envolve viagens de quase 10 mil quilômetros desde Moscou, tem provocado adaptações nos serviços médicos da capital paraibana.
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Segundo reportagem da TV Cabo Branco, o obstetra Guilherme Carvalho acompanha atualmente o pré-natal de 12 pacientes russas e afirma que a procura aumentou nos últimos 18 meses.
Uma das mulheres que escolheram a cidade é Viktoriia Baskakova, que já morou em Moscou, na Argentina e em outros estados brasileiros. Ela teve uma filha em João Pessoa e está grávida do quinto filho.
“Na Rússia não existe essa veneração às grávidas, como tem aqui. Ter um acompanhante no parto, bem, geralmente custa muito caro, mas além disso tem muitos obstáculos e os médicos não são muito a favor. E eu diria que lá tem intervenções mais brutais”, relatou à emissora.
Além das diferenças no atendimento médico, Viktoriia afirma que o clima e a qualidade de vida influenciaram a decisão de permanecer na capital paraibana com a família.
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Consultas exigem adaptações no idioma
Para atender às pacientes, profissionais de saúde utilizam tradutoras, aplicativos e equipamentos de tradução simultânea. Receitas e orientações sobre a gravidez também são disponibilizadas em russo.
“A grande maioria, elas vão com uma tradutora, uma pessoa para estar ali traduzindo e para a comunicação fluir melhor, mas outras a gente acaba usando realmente o tradutor (…)”, explicou a doula Thayana Jovino.
A procura ocorre em um contexto de aumento da imigração russa para o Brasil. Dados do governo federal citados na reportagem apontam que cerca de 60 mil cidadãos russos entraram no país entre março de 2022 e os últimos meses de 2025. Entre 2024 e 2025, outros 1.094 obtiveram a cidadania brasileira.
Após se estabelecer em João Pessoa, Viktoriia passou a trabalhar como doula, auxiliando outras gestantes estrangeiras durante a gravidez e o parto.



