Policiais militares são suspeitos de obrigar detidos a vestir camisas de Lula 

PMs teriam obrigado detidos a vestir camisas de Lula  WSCOM

A suspeita de que policiais militares tenham obrigado três pessoas detidas em Piracicaba, no interior de São Paulo, a vestir camisas de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou a Ouvidoria da Polícia paulista a pedir o afastamento imediato dos agentes envolvidos. O órgão também solicitou à Corregedoria da Polícia Militar informações sobre os procedimentos adotados durante a operação.

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O caso envolve dois homens presos em flagrante e um adolescente apreendido. Imagens da ação mostram os três usando camisetas de apoio ao petista, mas há denúncias de que as peças teriam sido impostas pelos policiais.

Em ofício encaminhado à Corregedoria, a Ouvidoria defendeu que os agentes sejam afastados de suas funções até a conclusão da apuração das denúncias.

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Mãe afirma que adolescente não usava camiseta de Lula

Uma das suspeitas sobre a conduta policial surgiu a partir do relato da mãe do adolescente apreendido. Em entrevista ao Metrópoles, ela afirmou que o filho vestia uma regata azul no momento da abordagem e não demonstrava interesse pela disputa eleitoral.

“Meu filho estava com uma blusa azul regata, não estava com blusa de Lula. […] Tudo molecada, tudo desandado, na vida errada, então não estão nem aí pra eleição. Ele não estava com a blusa, ele estava com outra blusa, mas não com blusa de Lula. Não porque era do Lula, não, mas porque ele não liga pra essas coisas”, declarou.

O depoimento contrasta com as imagens divulgadas após a operação, nas quais o adolescente aparece com a camiseta de apoio ao presidente.

Derrite divulgou imagens e elogiou operação

O senador eleito Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, publicou as imagens da ação policial em seu perfil no Instagram.

Na publicação, Derrite parabenizou os integrantes do 10º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) e do 10º Batalhão de Ações Especiais (Baep) pelo resultado da operação.

O parlamentar também utilizou o episódio para defender a redução da maioridade penal, proposta apoiada por seu campo político.

Ouvidoria aponta possível violação da neutralidade policial

Em nota divulgada nesta quinta-feira (22), a Ouvidoria da Polícia de São Paulo repudiou a conduta atribuída aos policiais.

O órgão classificou os atos denunciados como “absolutamente incompatíveis com os princípios constitucionais que regem a atividade policial” e afirmou que eles afrontam o Estado Democrático de Direito.

“A Ouvidoria reafirma que a polícia não pertence a partidos, governos ou correntes ideológicas. Sua missão é servir à sociedade e garantir o cumprimento da lei, com absoluta neutralidade político-partidária. Nenhum agente público pode valer-se de sua função para promover convicções pessoais, perseguir cidadãos por suas opiniões políticas ou instrumentalizar o poder estatal para fins de disputa eleitoral ou ideológica”, afirmou o ouvidor Mauro Caseri, responsável pela nota.

O pedido de afastamento e a solicitação de informações foram encaminhados à Corregedoria da PM, responsável pela apuração disciplinar da conduta dos agentes.

Até as informações apresentadas nesta quinta-feira, não havia confirmação sobre o afastamento dos policiais nem conclusão da investigação a respeito da suposta imposição das camisetas.

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