O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o respeito à liberdade religiosa nesta segunda-feira (12), durante uma cerimônia em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, no Palácio da Alvorada, em Brasília. Na ocasião, afirmou que a padroeira do Brasil tem sido ofendida por religiosos que não respeitam outras crenças.
“Primeiro, esse pequeno ato religioso que fizemos pra homenagear o dia das crianças e o dia de Nossa Senhora, sobretudo num instante que Nossa Senhora é ofendida e alguns religiosos não querem respeitar a religião dos outros. Esse gesto é para mostrar um país civilizado, harmônico, democrático, ou seja: cada um segue a religião que quiser e todos nós temos que respeitar. Ninguém é obrigado, só precisamos respeitar a fé e a espiritualidade das pessoas”, declarou Lula.
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O ato ocorreu no feriado de 12 de outubro, data em que também é celebrado o Dia das Crianças. O presidente falou ainda sobre sua relação pessoal com a devoção católica.
“Sou daqueles que têm na Nossa Senhora uma referencia da espiritualidade e da fé”, afirmou. Lula acrescentou que participar da cerimônia “é um gesto muito importante pra mim e pro povo católico brasileiro”.
Declaração ocorre em meio a controvérsia eleitoral
A fala acontece após a circulação de informações falsas que associavam o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A campanha do parlamentar negou a informação, que foi relacionada nas publicações a um projeto de lei antigo, arquivado em 2008.
Sem citar diretamente o adversário no trecho sobre a santa, Lula relacionou a homenagem à defesa da convivência democrática e do respeito às diferentes manifestações de fé.
Lula cobra posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre escala 6×1
Durante a conversa com jornalistas, Lula também comentou a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê mudanças na escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de serviço e tem um de descanso.
O presidente demonstrou confiança na aprovação da proposta e criticou parlamentares que, segundo ele, estariam tentando adiar a votação para depois das eleições.
“Não sou senador, mas acho que vão aprovar. Quem não votar favorável vai pagar o preço. Sei que a oposição está tentando protelar para depois das eleições, porque vão ter coragem de votar contra. Agora, não vão ter coragem”, disse.
Lula também cobrou que o PL e Flávio Bolsonaro tornem pública sua posição sobre a mudança na jornada de trabalho.
“Eu quero saber do PL [Partido Liberal]: está contra ou à favor do fim da escala 6×1? E o senhor Flávio como senador se posicione, pode apertar lá o botão e dizer sim ou não, não tem trauma, é apenas coragem e determinação. Eu acho que o Senado vai aprovar”, declarou.
A votação da proposta estava prevista para quarta-feira (14), conforme o calendário citado pelo presidente.
