Em um vídeo divulgado nas redes sociais logo após a concessão de liberdade ao empresário Alysson Campelo Catuhyte Wanderlei com tornozeleira eletrônica, a ex-esposa e vítima Develyn Lucena fez um apelo desesperado por proteção às autoridades e à sociedade, afirmando temer pela própria vida e pela segurança de suas filhas diante do histórico de violência e ameaças.
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Apelo dramático e medo de feminicídio
Emocionada e chorando, Develyn relatou o desespero ao saber que a Justiça havia concedido liberdade provisória ao agressor mediante monitoramento eletrônico nesta sexta-feira (11). No relato, ela expressou a sensação de desamparo e o pavor de sofrer uma retaliação.
“Eu sou uma mulher vítima de violência doméstica. Hoje, às 3 horas da tarde, soube que foi deferida a soltura do meu agressor. Eu venho aqui pedir ajuda de todo mundo. Eu preciso que vocês me ajudem. A minha vida acabou, a minha vida foi devastada. Eu estou desesperada, eu não posso sair de dentro de casa. Eu sei como ele é agressivo, eu sei o quanto ele é perigoso”, desabafou.
A vítima ainda destacou a urgência de uma intervenção eficaz do sistema de justiça e segurança para impedir uma tragédia: “Eu não quero morrer, eu não quero ser mais uma estatística. Eu quero viver, cuidar das minhas filhas. Cadê a lei que protege a mulher? Cadê a lei que defende a vítima? Ele vai ficar solto e eu vou ficar presa dentro de casa? (…) Por favor, me ajudem. Meu único desejo é continuar viva”.
Histórico de controle, isolamento e violência doméstica
O empresário estava preso preventivamente desde 14 de agosto, quando foi autuado em flagrante por lesão corporal e ameaça sob os rigores da Lei Maria da Penha. Na ocasião, a vítima já havia detalhado à imprensa que a convivência com Alysson se transformou em uma rotina de abusos psicológicos, vigilância constante e privação de liberdade.
Segundo o relato, o imóvel do casal era vigiado inteiramente por câmeras que ela não tinha permissão para acessar, enquanto o homem controlava seus passos até mesmo pela fechadura das portas. A vítima também narrou o afastamento gradual de familiares e amigos, além de um sentimento de culpa que se instalou com a intensificação das agressões verbais e psicológicas. Medidas protetivas de urgência chegaram a ser expedidas pela Justiça para tentar garantir o seu distanciamento.
Nova condução e autuação em flagrante
Menos de 24 horas após receber o benefício da tornozeleira eletrônica, Alysson voltou a ser conduzido por policiais civis a uma delegacia especializada da capital neste sábado (12).
Após a conclusão do procedimento policial e nova oitiva das partes, o empresário foi novamente autuado em flagrante e permanece sob custódia da Polícia Civil, aguardando a realização de audiência de custódia. O processo segue em segredo de justiça.

