Um ano após a prisão que levou o caso Hytalo Santos ao debate sobre a exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais, o influenciador paraibano permanece preso e já foi condenado em primeira instância pela Justiça da Paraíba. A investigação resultou também em medidas sobre seu patrimônio e em novas ações voltadas à reparação das possíveis vítimas.
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Hytalo Santos e o marido, Israel Nata Vicente, conhecido como Euro, foram presos em 15 de agosto de 2025, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, por determinação da Justiça paraibana. O pedido partiu do Ministério Público da Paraíba, após investigações sobre conteúdos produzidos com adolescentes.
Na época, o Ministério Público informou que investigava a conduta de Hytalo desde o fim de 2023. As apurações começaram em Cajazeiras, no Sertão paraibano, e posteriormente avançaram para outros municípios, incluindo Bayeux e João Pessoa. Entre os pontos investigados estavam a exposição de adolescentes em vídeos com conotação sexual e a exploração de mão de obra artística infantojuvenil com finalidade de lucro.
Denúncias e repercussão nacional
O caso ganhou dimensão nacional quando o influenciador Felca publicou um vídeo criticando a exposição e a chamada adultização de crianças e adolescentes nas redes sociais. Hytalo, que acumulava milhões de seguidores, passou a ser alvo de intensa repercussão e teve perfis suspensos por determinação judicial.
Na mesma época, a Justiça determinou medidas contra Hytalo e o marido, incluindo a suspensão de perfis, o cancelamento da monetização de vídeos envolvendo menores e o afastamento do influenciador dos adolescentes mencionados no processo. Também foram autorizadas buscas e apreensões em imóveis ligados ao casal.
A investigação apontava ainda a necessidade de verificar a participação ou eventual omissão dos responsáveis pelos adolescentes. Segundo o Ministério Público, foram analisadas questões como possível recebimento de dinheiro ou imóveis e eventual cessão de direitos de imagem ou emancipação dos menores.
Prisão mantida e processo
Hytalo e Israel permaneceram presos preventivamente ao longo da tramitação do processo. O caso passou a ser investigado integralmente pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado da Paraíba (Gaeco-PB).
Em fevereiro de 2026, veio a sentença de primeira instância. A Justiça da Paraíba condenou Hytalo a 11 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. Israel Vicente recebeu pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias. A decisão também estabeleceu indenização de R$ 500 mil por danos morais e multa para cada um.
Segundo a sentença, os adolescentes eram inseridos em um ambiente controlado que o magistrado comparou a um “reality show”, com exposição a situações consideradas inadequadas e de risco. A decisão também apontou exploração da vulnerabilidade das vítimas.
Patrimônio entrou no caso
As medidas alcançaram ainda bens atribuídos ao influenciador. Mais recentemente, a Justiça do Trabalho da Paraíba autorizou o leilão de cinco veículos avaliados conjuntamente em cerca de R$ 4,8 milhões.
O lote inclui uma McLaren Artura Spider, avaliada em R$ 2,85 milhões, uma Tesla Cybertruck, estimada em R$ 1,45 milhão, além de um UTV Bombardier e duas motos aquáticas. O leilão está marcado para 31 de agosto, na Paraíba.
A medida é referente a um processo trabalhista e busca preservar recursos para eventual indenização por dano moral coletivo e ações de assistência às vítimas. O processo tramita em segredo de Justiça.
