Filhote recém-nascido de peixe-boi-marinho é resgatado no litoral norte da Paraíba

O animal encontra-se em estado de saúde estável apesar dos ferimentos na região ventral e nadadeira peitoral.

peixe-boi-marinho
Foto: Acervo FMA

Uma filhote, fêmea, de peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) foi resgatada na manhã da última segunda-feira (11) na Prainha, Baía da Traição, no litoral da Paraíba. O animal apresentava resquício do cordão umbilical, um indicativo de ter nascido há poucos dias. O filhote foi inicialmente avistado por um morador local que imediatamente acionou as equipes de resgate. O atendimento à emergência foi realizada em conjunto pelas equipes da APA da Barra do Rio Mamanguape/ICMBio e do Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho (PVPBM) que é realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos com patrocínio da Petrobras e do Governo Federal, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

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A notificação chegou logo cedo, e antes mesmo da equipe chegar ao local, o morador foi orientado remotamente para manter o filhote na melhor condição possível. No atendimento inicial, os primeiros cuidados estiveram relacionados em promover a estabilização do animal. Em avaliação inicial, constatou-se que se tratava de uma fêmea, com comportamento ativo, apontando sinais positivos como o reflexo de sucção, mas ainda se encontrava agitada e necessitando de suporte contínuo.

A filhote apresentava escoriações e lacerações na região ventral e na nadadeira peitoral direita. O animal foi transferido para o Centro de Reabilitação do Centro Mamíferos Aquáticos (CMA)/ICMBio, na Ilha de Itamaracá (PE), onde seguirá recebendo os devidos cuidados especializados. De acordo com o veterinário do PVPBM, Órion Pedro da Silva, o filhote se encontra em estado de saúde estável, com perspectiva positiva para a sua reabilitação e futura soltura ao ambiente natural.

Os encalhes de filhotes de peixes-boi-marinhos geralmente estão relacionados à perda de habitat, como degradação de mangues e estuários, que muitas vezes resulta no assoreamento dos rios, dificultando assim o acesso das mães de áreas seguras para o parto. Em decorrência disto, algumas fêmeas acabam parindo em áreas mais desabrigadas e susceptíveis a ação de ondas, correntes-marinhas entre outras variáveis ambientais, tornando os filhotes mais vulneráveis devido a sua imaturidade nessas condições ambientais. O peixe-boi-marinho é uma espécie considerada “Em Perigo” de extinção. Casos como esses reforçam a importância de projetos como o PVPBM e ações integrando a participação social nas atividades desenvolvidas.

Ressaltamos ainda a atitude atenta do morador Edson José da Conceição, que ao encontrar o animal encalhado na praia, imediatamente contatou as equipes de resgate. Reforçamos que nos casos envolvendo o encalhe de mamíferos aquáticos na Paraíba é sempre importante acionar imediatamente o Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho. Os encalhes apresentam diversas causas e devemos considerar a possibilidade de tratar-se de animais doentes, filhotes ainda dependentes, entre outras causas. Neste sentido, as equipes especializadas têm treinamento técnico e equipamentos adequados para avaliar a condição do animal, prestar os primeiros cuidados e decidir se ele pode ser devolvido ao mar com segurança ou transferidos para as estruturas de reabilitação.

Encalhes e atendimentos a animais marinhos

Caso encontre um peixe-boi-marinho, boto, baleia ou qualquer outro mamífero marinho encalhado vivo ou morto na Paraíba, acione imediatamente o Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho/ Fundação Mamíferos Aquáticos pelos telefones: (83) 99961-1352. Não se aproxime e nem toque na carcaça.

E se acontecer de encontrar um mamífero aquático (peixe-boi-marinho, baleia, golfinho) encalhado vivo, siga estas orientações:

  1. Aproxime-se devagar e fale baixo para não assustá-lo;
  2. Observe se o animal está respirando e se mexendo;
  3. Comunique imediatamente às instituições ambientais atuantes na região (Na Paraíba, em Sergipe e litoral norte da Bahia, entre em contato com o Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho/Fundação Mamíferos Aquáticos pelos telefones: (83) 99961-1352.
  4. No caso de golfinho e peixe-boi, proteja-o do sol: faça uma sombra, cubra com panos claros ou toalhas e molhe a pele sempre, tomando cuidado para não cobrir as narinas;
  5. Cuidado para não jogar água nas narinas, quando estiverem abertas;
  6. Afaste os curiosos. Se precisar, chame os policiais e bombeiros (ligue 190 ou 193);
  7. Não devolva o animal para o mar;
  8. Não alimente.

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