Ao longo de décadas dedicadas à universidade pública, à pesquisa e à formação de novos pesquisadores, o professor Dermeval da Hora Oliveira ajudou a construir caminhos para a Linguística no Brasil. Agora, essa trajetória marcada pelo ensino, pela ciência e pela defesa da pós-graduação recebe um dos mais importantes reconhecimentos acadêmicos do país: o Prêmio Anísio Teixeira 2026, concedido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES/MEC).
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O nome do pesquisador, vinculado ao Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas do CCHLA, foi publicado na última sexta-feira (8), por meio da Portaria CAPES nº 206/2026. A honraria reconhece personalidades que contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento da educação e da ciência no Brasil.
Nesta edição especial, realizada em celebração aos 75 anos da CAPES, vinte pesquisadores foram selecionados, dez na categoria Educação Básica e dez na categoria Educação Superior. Os agraciados foram escolhidos após indicação dos respectivos Conselhos Técnico-Científicos, deliberação do Conselho Superior da CAPES e aprovação final da presidência da instituição.
Professor titular aposentado da UFPB e atualmente professor visitante da instituição, Dermeval da Hora é pesquisador nível 1B do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e possui uma trajetória consolidada na área da Linguística, com ênfase em Língua Portuguesa, fonologia e sociolinguística variacionista.
A emoção do reconhecimento veio acompanhada da memória de décadas dedicadas ao ensino superior e à pós-graduação. “O Prêmio Anísio Teixeira é uma das maiores honrarias concedidas pela CAPES. Receber esse prêmio representa o reconhecimento pelo meu trabalho no ensino superior, principalmente na pós-graduação”, afirmou o professor.
Segundo ele, a notícia foi recebida com surpresa e emoção. “Fiquei bastante emocionado com o reconhecimento pelo meu trabalho. Foi uma surpresa muito agradável. Fico feliz em ter esse reconhecimento em vida, como aconteceu com o título de Professor Emérito que recebi da UFPB no ano passado”, destacou.
A relação de Dermeval da Hora com a universidade começou ainda na década de 1970, quando iniciou sua carreira docente na Faculdade de Formação de Professores de Jequié, em 1978. Em 1992, ingressou na UFPB, instituição onde consolidou sua atuação acadêmica e científica.
“Na UFPB consolidei minha participação. Sempre trabalhei com Língua Portuguesa e Linguística. Trouxe para a universidade um projeto de pesquisa na área de Fonologia e Sociolinguística. Formei graduandos, mestrandos e doutorandos. Tenho orientandos espalhados por todo o Nordeste”, relembrou.
Graduado em Letras pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestre em Letras pela UFPB e doutor em Linguística Aplicada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), o pesquisador realizou estágio pós-doutoral na Vrije Universiteit Amsterdam, na Holanda.
Desde 1993, dedica-se à pesquisa e à pós-graduação. Ao longo desse percurso, coordenou os dois programas de pós-graduação da área de Letras da UFPB e, entre 2011 e 2018, esteve à frente da coordenação da área de Linguística e Literatura da CAPES. Nesse período, percorreu universidades de diferentes regiões do país acompanhando programas de pós-graduação e contribuindo para o fortalecimento da área. Também foi responsável pela criação do PROFLETRAS, em 2013.
Além da atuação institucional, ocupou posições de destaque em entidades científicas nacionais e internacionais. Foi presidente da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN) entre 2007 e 2009 e presidiu a Associação de Linguística e Filologia da América Latina (ALFAL) entre 2017 e 2024, instituição da qual recebeu título de honra ao mérito.
Atualmente, desenvolve o projeto “Variação Linguística no Estado da Paraíba – fase IV: variação, estilo, atitude e percepção”, como bolsista de produtividade do CNPq.
Ao recordar sua trajetória, o professor fez questão de dividir a homenagem com os colegas, estudantes e pesquisadores que fizeram parte de sua caminhada acadêmica. “Fiz muito pela UFPB ao lado de colegas que são inesquecíveis. Não esqueço meus bolsistas de iniciação científica que se tornaram mestres e doutores. A todos que contribuíram para que eu fosse agraciado com esse prêmio, muito obrigado”, declarou.
A cerimônia de entrega do Prêmio Anísio Teixeira está prevista para julho, em Brasília (DF), durante as comemorações pelos 75 anos da CAPES/MEC.